SANIDADE ANIMAL - 23/07/2026 13:40 (atualizado em 23/07/2026 13:44)

Caso de raiva em bovino reforça alerta para vacinação e vigilância no Extremo-Oeste de SC

Confirmação da doença em Itapiranga e uma nova suspeita na região levam a Cidasc a reforçar orientações sobre prevenção, vacinação e notificação imediata de casos suspeitos.
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Cidasc orienta produtores a notificarem imediatamente casos suspeitos de raiva (Foto: Imagem Ilustrativa, Banco de Imagens, Divulgação) 

A confirmação de um caso de raiva em um bovino em Itapiranga, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, reacendeu o alerta para a circulação da doença no Estado e reforçou a importância da vacinação dos rebanhos. O registro, somado a uma nova suspeita em investigação na mesma região, levou a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) a intensificar as orientações aos produtores rurais sobre prevenção, identificação de sintomas e comunicação imediata de casos suspeitos.

Embora o número de ocorrências esteja dentro do esperado para um estado considerado endêmico para a doença, a Cidasc destaca que a presença do vírus exige vigilância permanente, especialmente no Oeste, onde a pecuária tem forte importância econômica.

Segundo a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, a raiva dos herbívoros faz parte da realidade sanitária brasileira porque o vírus circula naturalmente no ambiente silvestre, principalmente por meio dos morcegos hematófagos, conhecidos por se alimentarem de sangue.

— Tivemos recentemente um caso no Extremo-Oeste e outro está sendo investigado. Não é um número que excede a normalidade, mas é sempre um momento de chamar a atenção para os cuidados. A vacinação continua sendo a melhor forma de prevenir novos casos — afirma.

Ela explica que, quando um foco é confirmado, a recomendação é que os produtores da propriedade atingida e das áreas vizinhas vacinem imediatamente os animais, já que os morcegos transmissores podem percorrer diferentes propriedades em poucos dias.

— O morcego hematófago vive na região, hoje pode estar em uma propriedade e amanhã em outra. Por isso, além do controle realizado pela Cidasc, é essencial que o produtor mantenha a vacinação em dia — destaca.

Doença também representa risco para humanos

Além dos prejuízos à pecuária, a raiva é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida aos seres humanos e outros mamíferos. A doença é considerada fatal após o aparecimento dos sintomas.

Por isso, a orientação é evitar qualquer contato com animais que apresentem sinais neurológicos.

Entre os principais sintomas estão dificuldade para caminhar, salivação intensa, comportamento apático, isolamento do rebanho, perda do apetite e paralisia progressiva. Nos estágios mais avançados, o animal deita, não consegue mais levantar e acaba morrendo.

— Não toquem nesses animais e também não permitam que cães e gatos tenham contato com eles. O correto é acionar imediatamente a Cidasc para que um médico-veterinário faça a avaliação clínica e, se necessário, realize a coleta de material para confirmação laboratorial — orienta Celles.

A confirmação da doença é feita apenas por exame laboratorial realizado a partir do tecido cerebral do animal após a morte.

Notificação é essencial para o controle

O médico-veterinário Fábio Ferreira, responsável pelo Programa de Controle da Raiva e Encefalopatias Transmissíveis da Cidasc, destaca que Santa Catarina convive com a circulação do vírus e que o controle depende da atuação conjunta entre o serviço veterinário oficial e os produtores rurais.

— Santa Catarina é considerado um estado endêmico para a raiva. Isso significa que existe circulação viral e, consequentemente, podem ocorrer casos da doença. O controle depende diretamente da participação dos produtores, principalmente por meio da vacinação e da notificação de qualquer suspeita — afirma.

Segundo ele, a confirmação de casos demonstra que o sistema de vigilância está funcionando.

— Quando um caso é detectado, significa que tanto o produtor quanto a Cidasc fizeram seu papel de identificar rapidamente a suspeita e investigar — explica.

O veterinário reforça que qualquer animal com sinais neurológicos deve ser comunicado imediatamente ao órgão, mesmo quando houver dúvidas sobre o diagnóstico.

Morcegos hematófagos são os principais transmissores

A transmissão da raiva entre bovinos, equinos e outros herbívoros ocorre principalmente pela mordida do morcego hematófago (Desmodus rotundus), que se alimenta de sangue durante a noite.

Os produtores também devem informar à Cidasc sempre que identificarem animais com marcas características de mordidas ou sangue escorrendo pelo local da lesão, sinais que podem indicar a presença desses morcegos na propriedade.

Com essas informações, equipes da companhia realizam o monitoramento e o controle dos abrigos dos morcegos hematófagos, reduzindo o risco de disseminação da doença.

Oeste registra novos casos em 2026

Com a confirmação em Itapiranga, o Oeste voltou a registrar casos da doença neste ano. Chapecó e São José do Cedro também aparecem entre os municípios com ocorrências em 2026.

Ao todo, Santa Catarina contabiliza 26 casos de raiva em animais de produção neste ano. As confirmações foram registradas nos municípios de Angelina, Apiúna, Bocaina do Sul, Caçador, Chapecó, Criciúma, Gravatal, Indaial, Itapiranga, Major Gercino, Orleans, Pescaria Brava, São Francisco do Sul e São José do Cedro.

Apesar da maior concentração de casos estar na região Sul do Estado, a Cidasc reforça que o vírus circula em diferentes regiões catarinenses, tornando indispensáveis a vacinação dos rebanhos, a vigilância permanente e a comunicação imediata de qualquer suspeita.

Principais sintomas da raiva em bovinos

- Falta de apetite;

- Salivação intensa;

- Dificuldade para caminhar;

- Isolamento do restante do rebanho;

- Paralisia progressiva, principalmente das patas traseiras;

- O animal deita, não consegue mais levantar e morre.

Em caso de suspeita, a orientação é não tocar no animal e comunicar imediatamente a unidade local da Cidasc.

Fonte: WH3 com NSC
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