
A inadimplência da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 4,7% em junho, mantendo o mesmo percentual registrado em maio e alcançando o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central, por meio do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o índice apresentou alta de um ponto percentual, refletindo o aumento das dificuldades de pagamento entre consumidores e empresas.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 5,6% no mês, mas registrou crescimento de 1,2 ponto percentual em relação a junho de 2025. Já entre as pessoas jurídicas, o indicador ficou em 3,2%, estável frente ao mês anterior e com avanço de 0,5 ponto percentual no período de 12 meses.
Crédito com recursos livres também preocupa
Considerando apenas as operações de crédito com recursos livres — aquelas em que as instituições financeiras definem livremente as condições de empréstimo —, a inadimplência ficou em 6,2% da carteira, repetindo o resultado de maio.
Nesse segmento, a taxa entre as empresas caiu levemente para 4%, enquanto entre as famílias permaneceu em 7,6%, com aumento de 1,1 ponto percentual na comparação anual.
Carteira de crédito cresce
Apesar do aumento da inadimplência, o saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional continuou em expansão.
Segundo o Banco Central, a carteira alcançou R$ 7,4 trilhões em junho, registrando crescimento de 0,7% em relação ao mês anterior e alta de 9,7% nos últimos 12 meses.
A taxa média de juros das novas concessões também avançou, chegando a 33,4% ao ano, um aumento de 1,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
Famílias seguem mais endividadas
O relatório mostra ainda que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,8% em maio. Embora tenha apresentado leve queda de 0,1 ponto percentual na comparação mensal, o indicador cresceu 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Já o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas subiu para 28,5%, representando aumento de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,3 ponto percentual em 12 meses.
Governo aposta na renegociação de dívidas
Enquanto os indicadores de inadimplência seguem elevados, o Governo Federal mantém a estratégia de estimular a renegociação de débitos por meio do programa Desenrola Brasil 2.0.
Segundo o governo, cerca de 9 milhões de pessoas já aderiram à iniciativa, que teve o prazo de participação prorrogado até 31 de agosto. A expectativa é alcançar aproximadamente 10 milhões de brasileiros beneficiados com a renegociação de dívidas.

