
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderá aprovar até oito novas canetas para emagrecimento até o fim de 2026. A expectativa foi anunciada pelo diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, que destacou que a ampliação da oferta de medicamentos deve aumentar a concorrência, reduzir os preços e enfraquecer o mercado clandestino.
Segundo Safatle, a entrada de novos fabricantes regularizados permitirá que mais produtos, com segurança, eficácia e qualidade avaliadas pela Anvisa, cheguem ao mercado brasileiro.

Atualmente, das 24 canetas incluídas no edital de priorização publicado pela agência em agosto do ano passado, seis já foram autorizadas para comercialização, cinco tiveram o registro negado e outras 13 seguem em análise.
De acordo com a Anvisa, um dos pedidos deve ser concluído ainda neste mês e apresenta boas perspectivas de aprovação. Além disso, sete processos protocolados neste semestre têm previsão de análise até dezembro. Outros cinco aguardam o início da avaliação e devem entrar na fila nos próximos meses ou no início de 2027.
Para acelerar a liberação dos medicamentos, a agência adotou um modelo de avaliação otimizada, permitindo que diferentes equipes técnicas analisem simultaneamente os processos de registro, sem alterar os critérios de segurança, eficácia e qualidade exigidos para aprovação.
Combate ao mercado clandestino
A Anvisa também aposta na ampliação da oferta de produtos regularizados como forma de reduzir a comercialização ilegal de canetas para emagrecimento, muitas delas introduzidas no país sem registro sanitário, principalmente por meio do contrabando.
Segundo a agência, esses medicamentos frequentemente são transportados sem controle adequado de temperatura e armazenamento, o que pode comprometer sua eficácia e segurança.
Além de ampliar o número de opções disponíveis no mercado formal, a Anvisa mantém ações conjuntas de fiscalização com a Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal para combater a entrada e a comercialização de produtos irregulares.
Mais concorrência após fim da patente
A expansão do mercado ganhou força após o vencimento da patente do Ozempic, em março deste ano, permitindo que outros fabricantes passassem a solicitar o registro de medicamentos à base de semaglutida no Brasil.
Na avaliação da Anvisa, o aumento da concorrência deverá ampliar o acesso aos tratamentos para obesidade e diabetes, além de contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Segundo o diretor-presidente da agência, o Brasil já está entre os países com maior número de canetas emagrecedoras regularizadas entre as principais agências reguladoras do mundo.

