posição geográfica do Estado - 09/08/2026 08:00

Por que Santa Catarina é tão afetada por ciclones e tornados?

Localização geográfica e encontro de massas de ar favorecem fenômenos extremos, enquanto estudos apontam aumento dos desastres associados a ciclones, frentes frias e ondas de frio.
Recomendar correção
Obrigado pela colaboração!
RS foi afetada por tornado e ventos fortes com tornado na quinta-feira (6) (Foto: Redes sociais, Reprodução e Banco de imagen / NSC)

Santa Catarina está em uma das regiões mais favoráveis à ocorrência de ciclones extratropicais, tempestades severas e tornados. A posição geográfica do Estado, entre massas de ar frio vindas do Sul e o ar quente e úmido de origem tropical, contribui para mudanças rápidas nas condições do tempo.

Nesta semana, um ciclone bomba provocou chuva intensa e ventos fortes no Sul do Brasil e esteve associado à ocorrência de um tornado em Pedro Osório, no Rio Grande do Sul. O fenômeno foi o segundo tornado registrado em menos de uma semana no Estado vizinho.

Um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica aponta que as regiões Sul e Centro-Oeste concentram 74% dos desastres relacionados a ciclones extratropicais, frentes frias e ondas de frio no Brasil. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os estados que registram aumento expressivo desses eventos, tanto no litoral quanto no interior.

Por que Santa Catarina é tão vulnerável?

O Estado está localizado em uma faixa de transição atmosférica. Com frequência, massas de ar frio avançam do Sul e encontram ar quente e úmido, criando condições favoráveis para a formação e intensificação de sistemas meteorológicos.

Os ciclones extratropicais normalmente se formam sobre o oceano, mas seus efeitos podem atingir grandes áreas do continente. Entre os principais impactos estão:

- chuva intensa;

- rajadas de vento;

- queda brusca de temperatura;

- granizo;

- quedas de árvores;

- danos em estruturas;

- alagamentos e enxurradas.

A presença frequente de frentes frias também contribui para a instabilidade.

Número de desastres aumentou

Segundo o estudo citado, os desastres associados a ciclones, frentes frias e ondas de frio cresceram 19 vezes desde a década de 1990 no Brasil.

Foram contabilizados 407 registros no período analisado. A média anual passou de 2,3 ocorrências para 44.

Os pesquisadores apontam o aquecimento global como um dos fatores que podem contribuir para a intensificação desses eventos. Com o aumento da temperatura da superfície do mar, há maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, o que pode fornecer mais energia para sistemas meteorológicos severos.

Santa Catarina também registra muitos alertas

A frequência desses fenômenos se reflete no número de avisos emitidos pelas autoridades. Em 2024, foram mais de 3 mil avisos por SMS da Defesa Civil de Santa Catarina e 337 alertas enviados diretamente para celulares em áreas de risco.

A maior parte dos alertas estava relacionada a chuvas intensas e tempestades. O Estado registrou ainda uma adesão de 10,54% da população ao sistema de alertas, mais que o dobro da média nacional de 5,18%.

Ciclone extratropical x ciclone bomba

O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão que se forma fora das regiões tropicais, geralmente associado ao encontro entre massas de ar quente e frio. Ele pode provocar chuva, vento forte e queda de temperatura.

Já o ciclone bomba é um tipo de ciclone extratropical que se caracteriza pela rápida intensificação. Quando isso ocorre, o sistema pode provocar condições meteorológicas mais severas, com ventos fortes, temporais e maior possibilidade de granizo.

E onde entram os tornados?

Os tornados são fenômenos diferentes dos ciclones, embora possam ocorrer dentro de ambientes meteorológicos associados a tempestades severas.

O tornado é uma coluna de ar em intensa rotação que se estende de uma tempestade até a superfície. Entre os fatores que favorecem sua formação está o cisalhamento do vento, quando a velocidade ou a direção dos ventos muda conforme a altitude.

O Sul do Brasil, juntamente com Paraguai, Uruguai e nordeste da Argentina, está entre as áreas mais propensas à ocorrência de tornados no mundo, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos.

De acordo com a Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas (Prevots), o Brasil já havia registrado 81 tornados e fenômenos semelhantes em 2026 antes do episódio de Pedro Osório. Em 2025, foram 92 registros.

A combinação de posição geográfica, encontro de massas de ar, influência do oceano e mudanças nas condições climáticas ajuda a explicar por que Santa Catarina e os demais estados do Sul estão frequentemente entre as áreas brasileiras mais atingidas por fenômenos meteorológicos extremos.

Fonte: NSC
Publicidade
Publicidade
Cadastro WH3
Clique aqui para se cadastrar
Entre em contato com a WH3
600

Rua 31 de Março, 297

Bairro São Gotardo

São Miguel do Oeste - SC

89900-000

(49) 3621 0103

Carregando...