
Santa Catarina está em uma das regiões mais favoráveis à ocorrência de ciclones extratropicais, tempestades severas e tornados. A posição geográfica do Estado, entre massas de ar frio vindas do Sul e o ar quente e úmido de origem tropical, contribui para mudanças rápidas nas condições do tempo.
Nesta semana, um ciclone bomba provocou chuva intensa e ventos fortes no Sul do Brasil e esteve associado à ocorrência de um tornado em Pedro Osório, no Rio Grande do Sul. O fenômeno foi o segundo tornado registrado em menos de uma semana no Estado vizinho.
Um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica aponta que as regiões Sul e Centro-Oeste concentram 74% dos desastres relacionados a ciclones extratropicais, frentes frias e ondas de frio no Brasil. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os estados que registram aumento expressivo desses eventos, tanto no litoral quanto no interior.
Por que Santa Catarina é tão vulnerável?
O Estado está localizado em uma faixa de transição atmosférica. Com frequência, massas de ar frio avançam do Sul e encontram ar quente e úmido, criando condições favoráveis para a formação e intensificação de sistemas meteorológicos.
Os ciclones extratropicais normalmente se formam sobre o oceano, mas seus efeitos podem atingir grandes áreas do continente. Entre os principais impactos estão:
- chuva intensa;
- rajadas de vento;
- queda brusca de temperatura;
- granizo;
- quedas de árvores;
- danos em estruturas;
- alagamentos e enxurradas.
A presença frequente de frentes frias também contribui para a instabilidade.
Número de desastres aumentou
Segundo o estudo citado, os desastres associados a ciclones, frentes frias e ondas de frio cresceram 19 vezes desde a década de 1990 no Brasil.
Foram contabilizados 407 registros no período analisado. A média anual passou de 2,3 ocorrências para 44.
Os pesquisadores apontam o aquecimento global como um dos fatores que podem contribuir para a intensificação desses eventos. Com o aumento da temperatura da superfície do mar, há maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, o que pode fornecer mais energia para sistemas meteorológicos severos.
Santa Catarina também registra muitos alertas
A frequência desses fenômenos se reflete no número de avisos emitidos pelas autoridades. Em 2024, foram mais de 3 mil avisos por SMS da Defesa Civil de Santa Catarina e 337 alertas enviados diretamente para celulares em áreas de risco.
A maior parte dos alertas estava relacionada a chuvas intensas e tempestades. O Estado registrou ainda uma adesão de 10,54% da população ao sistema de alertas, mais que o dobro da média nacional de 5,18%.
Ciclone extratropical x ciclone bomba
O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão que se forma fora das regiões tropicais, geralmente associado ao encontro entre massas de ar quente e frio. Ele pode provocar chuva, vento forte e queda de temperatura.
Já o ciclone bomba é um tipo de ciclone extratropical que se caracteriza pela rápida intensificação. Quando isso ocorre, o sistema pode provocar condições meteorológicas mais severas, com ventos fortes, temporais e maior possibilidade de granizo.
E onde entram os tornados?
Os tornados são fenômenos diferentes dos ciclones, embora possam ocorrer dentro de ambientes meteorológicos associados a tempestades severas.
O tornado é uma coluna de ar em intensa rotação que se estende de uma tempestade até a superfície. Entre os fatores que favorecem sua formação está o cisalhamento do vento, quando a velocidade ou a direção dos ventos muda conforme a altitude.
O Sul do Brasil, juntamente com Paraguai, Uruguai e nordeste da Argentina, está entre as áreas mais propensas à ocorrência de tornados no mundo, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
De acordo com a Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas (Prevots), o Brasil já havia registrado 81 tornados e fenômenos semelhantes em 2026 antes do episódio de Pedro Osório. Em 2025, foram 92 registros.
A combinação de posição geográfica, encontro de massas de ar, influência do oceano e mudanças nas condições climáticas ajuda a explicar por que Santa Catarina e os demais estados do Sul estão frequentemente entre as áreas brasileiras mais atingidas por fenômenos meteorológicos extremos.

