JUSTIÇA - 20/08/2026 16:15 (atualizado em 21/08/2026 14:13)

Servidor da Casan é condenado a mais de 11 anos de prisão por corrupção em Chapecó

Ex-chefe de setor cobrava valores de empresas para liberar descarte irregular de efluentes; Ministério Público apontou 60 atos de corrupção entre 2018 e 2020
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Foto: Ascom / Casan

Um ex-servidor da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) foi condenado a 11 anos, 10 meses e seis dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo crime de corrupção passiva. A Justiça também determinou a perda do emprego público.

O homem atuava como chefe do Setor Operacional de Esgoto em Chapecó e, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), teria utilizado o cargo para cobrar e receber dinheiro de empresários responsáveis pela coleta e transporte de resíduos.

De acordo com a investigação, o servidor cobrava valores por carga descarregada na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). Em troca dos pagamentos, permitia que os resíduos fossem descartados sem o recolhimento das tarifas oficiais da companhia.

O esquema também envolvia, segundo o Ministério Público, a reutilização de guias e a facilitação do acesso irregular de empresas às instalações da estação de tratamento.

MPSC aponta 60 atos de corrupção

A denúncia foi apresentada pela 10ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó. Segundo o promotor de Justiça Diego Roberto Barbiero, foram identificados 60 atos de corrupção passiva praticados entre 2018 e 2020.

As investigações apontaram que a prática ocorria de forma reiterada e era possível devido ao poder de controle exercido pelo então funcionário sobre o acesso e as operações realizadas na estação.

Ainda conforme o MPSC, o esquema causou prejuízos financeiros à Casan, uma vez que cargas eram recebidas sem o pagamento das tarifas correspondentes.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou que o condenado faça a restituição à Casan dos valores recebidos como propina, como forma de reparação pelos danos causados.

Casan diz que empregado foi demitido em 2025

Após a divulgação da condenação, a Casan esclareceu que o homem não faz mais parte do quadro de funcionários da companhia.

Em nota, a empresa informou que adotou as providências administrativas cabíveis e que o empregado foi demitido ainda em 2025.

“A CASAN informa que adotou as providências administrativas cabíveis e que o empregado mencionado foi demitido em 2025. Assim, ele já não integra o quadro funcional da Companhia há mais de um ano. O processo compete à Justiça e a defesa é pessoal do acusado.”

O material divulgado pelo Ministério Público não informa se houve trânsito em julgado da sentença. Dessa forma, a decisão pode estar sujeita a recurso.

Fonte: Marcos de Lima / Rádio 103 FM com informações do MPSC
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