
Apesar de o Brasil registrar cerca de 392 mil pessoas em situação de rua, conforme dados do Cadastro Único (CadÚnico) citados em levantamento de 2026, São Miguel do Oeste possui atualmente entre quatro e cinco moradores do próprio município nessa condição. A informação foi repassada pela coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Marília Munerolli, em entrevista ao Grupo WH Comunicações.
Segundo ela, embora seja comum encontrar um número maior de pessoas em praças, semáforos, na Avenida Willy Barth e em outros pontos da área central, boa parte não é moradora de São Miguel do Oeste e está de passagem pela cidade.
“São Miguel hoje tem quase 50 mil habitantes. Então, a gente fala em pessoas que realmente se dizem estar em situação de rua, que são munícipes de São Miguel, quatro, cinco pessoas no máximo. As demais estão em trânsito”, explicou.
CREAS realiza abordagens diariamente

O CREAS é o equipamento da Assistência Social responsável pelo Serviço Especializado em Abordagem Social. Conforme Marília, as equipes trabalham diariamente na identificação e acompanhamento das pessoas encontradas nas ruas.
O primeiro objetivo é compreender o que levou cada pessoa àquela situação. A partir da abordagem, são oferecidos serviços de acordo com cada necessidade, como alimentação, kits de higiene, banho, documentação e passagens para quem deseja retornar ou seguir para outro município, além da tentativa de restabelecimento dos vínculos familiares.
Segundo a coordenadora, entre os casos atualmente acompanhados em São Miguel do Oeste, o uso abusivo de álcool e outras drogas aparece com frequência associado à permanência nas ruas. Ela ressaltou, porém, que cada situação é avaliada individualmente.

Marília também afirmou que grande parte das pessoas acompanhadas possui familiares e, em alguns casos, residência no município, mas enfrenta vínculos familiares fragilizados. Segundo ela, famílias procuradas pelo serviço têm demonstrado disposição para acolher e ajudar.
Internação depende também da adesão do paciente
Nos casos envolvendo dependência de álcool ou outras drogas, a Assistência Social atua de forma integrada com a área da Saúde. A coordenadora explicou que o encaminhamento para internação não é atribuição direta do CREAS, mas envolve serviços como o CAPS, responsável pela avaliação e acompanhamento na área da saúde mental.
Uma reunião ampliada foi realizada recentemente envolvendo Assistência Social, Saúde, CAPS, forças de segurança e representantes jurídicos para fortalecer a atuação conjunta.

De acordo com Marília, várias das pessoas atualmente acompanhadas aguardam vagas para tratamento. Um dos desafios, entretanto, ocorre quando a vaga é disponibilizada e o próprio paciente desiste.
Nesta terça-feira (15), segundo a coordenadora, houve um avanço: um homem que estava em situação de rua havia cerca de quatro ou cinco meses e aguardava uma vaga foi encaminhado para internação.
O acompanhamento não termina com o tratamento. O CREAS continua atendendo a família e, posteriormente, trabalha para auxiliar na reinserção social, regularização de documentos, mediação de conflitos familiares e busca por oportunidades no mercado de trabalho.
“Não deem dinheiro”, orienta coordenadora
Um dos principais pedidos feitos pela coordenadora durante a entrevista foi direcionado à população que encontra pessoas pedindo dinheiro nos semáforos ou nas ruas de São Miguel do Oeste.
“Não deem dinheiro. Porque existe um equipamento específico que está aqui para atender essas pessoas.”
Marília explica que as pessoas acompanhadas já conhecem os serviços disponíveis e sabem que podem procurar o CREAS para receber alimentação, banho e outros atendimentos.
Segundo a coordenadora, nos casos acompanhados pelo serviço, há situações em que o dinheiro recebido nas ruas acaba sendo utilizado para sustentar o consumo de álcool ou outras drogas, o que pode dificultar o trabalho para superar a situação de vulnerabilidade.
Ela também explica que pessoas que estão apenas de passagem podem criar vínculos com grupos que já permanecem nas ruas e acabar ficando por mais tempo na cidade, dando a impressão de crescimento expressivo do número de moradores locais nessa condição.
A orientação é que, em vez da entrega direta de dinheiro, a população procure ou acione os serviços da Assistência Social, permitindo que cada caso seja abordado e encaminhado de acordo com sua necessidade.

