
Um grupo de magistradas brasileiras enviou nesta quarta-feira (16) 12 buquês de flores e uma carta de apoio à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os grupos que assinam a manifestação está o Coletivo Catarina, formado por mulheres da magistratura de Santa Catarina.
A homenagem ocorreu um dia depois da conturbada sessão do Supremo que discutiu procedimentos relacionados à possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Durante a sessão de terça-feira (15), Cármen Lúcia demonstrou consternação com o ambiente de tensão na Corte e pediu desculpas à população pelos acontecimentos. O julgamento acabou suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Coletivo Catarina participa da homenagem
Criado em agosto deste ano, o Coletivo Catarina surgiu a partir dos diálogos realizados durante o I Encontro de Juízas, no próprio STF.
Participaram da criação do grupo as desembargadoras do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Haidée Denise Grin e Érica Lourenço de Lima Ferreira, além da desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi. A iniciativa busca manter um espaço permanente de articulação entre mulheres da magistratura catarinense.
Ao todo, 12 coletivos femininos do Judiciário brasileiro participaram da manifestação de apoio a Cármen Lúcia.
“A senhora não está sozinha”
Na carta enviada à ministra, as magistradas afirmam que a homenagem pretende demonstrar presença e solidariedade diante do momento vivido pela integrante do Supremo.
“Hoje, estas flores chegam de diferentes Tribunais, trazidas por mulheres que quiseram lhe dizer uma coisa muito simples: a senhora não está sozinha”, diz um trecho da mensagem.
O texto também faz referência ao momento em que Cármen Lúcia recorreu à obra da escritora Clarice Lispector durante sua manifestação no plenário.
As magistradas destacam que a carta não pretende discutir processos, votos ou divergências jurídicas, mas demonstrar apoio pessoal à ministra após sua manifestação.
“Não transforme em culpa pessoal a tristeza de quem ainda se importa profundamente”, escreveram as magistradas.
Cármen Lúcia votou pela análise separada dos casos
Na sessão de terça-feira, Cármen Lúcia acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, e votou para que os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados separadamente.
Também se posicionaram dessa forma André Mendonça e Luiz Fux. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a análise conjunta. Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da questão, suspendendo o julgamento.
A sessão terminou sem que o Supremo analisasse o mérito sobre a eventual abertura de investigação envolvendo Moraes.

