
As casas de apostas movimentam cerca de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio com clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2026, segundo levantamento da revista Placar. Ao todo, 13 dos 20 times da elite nacional possuem acordos comerciais com empresas do setor.
Os números mostram o espaço conquistado pelas bets nas receitas comerciais do futebol brasileiro justamente em um momento em que o futuro do setor entrou no centro do debate político.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na quarta-feira (23), durante um evento no Rio de Janeiro, que pretende acabar com as bets no Brasil e afirmou que os clubes precisarão se adaptar a uma eventual mudança no mercado.
Apesar da declaração, uma proibição ainda não foi formalizada. O governo discute alternativas para restringir o setor e os detalhes de uma eventual mudança ainda dependem da definição das medidas e de sua implementação legal.
13 clubes têm bets como patrocinadoras
Segundo o levantamento da Placar, 65% dos participantes da Série A possuem acordos comerciais com empresas de apostas.
Entre eles estão Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Santos, Vitória, Remo e Chapecoense.
O Flamengo aparece com o maior valor-base individual, com um contrato de R$ 268,5 milhões anuais com a Betano.
Na sequência está o Corinthians, com R$ 150 milhões fixos por ano da Esportes da Sorte, valor que pode chegar a R$ 200 milhões conforme metas previstas no acordo.
O Palmeiras possui contrato de R$ 100 milhões anuais com a Sportingbet, com possibilidade de atingir R$ 170 milhões. Já o São Paulo recebe R$ 90 milhões por ano da Superbet, podendo alcançar R$ 115 milhões com bônus.
Entre os demais valores-base informados estão Atlético-MG, com R$ 60 milhões; Fluminense, R$ 58 milhões; Botafogo, R$ 55 milhões; Vasco e Cruzeiro, R$ 50 milhões cada; Santos, R$ 35 milhões; Vitória, R$ 20 milhões; Remo, R$ 12 milhões; e Chapecoense, com R$ 10 milhões.
Sete clubes não aparecem na lista
Outros sete participantes da Série A não estavam entre os clubes com acordos de patrocínio de casas de apostas considerados pelo levantamento: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Mirassol e Red Bull Bragantino.
Os contratos do setor incluem tanto valores fixos quanto parcelas variáveis relacionadas a metas esportivas e comerciais, fazendo com que alguns acordos possam atingir cifras ainda maiores.
Lula defende fim das bets
Durante a agenda de quarta-feira, Lula voltou a criticar as plataformas de apostas e relacionou o setor a problemas como endividamento, dependência em jogos e possíveis práticas ilícitas.
O presidente também respondeu às preocupações apresentadas por dirigentes do futebol sobre uma eventual perda das receitas de patrocínio.
“Nós vamos acabar com as bets e os times que aprendam a virar times de empresários. Não é uma guerra, é uma decisão”, declarou.
O governo avalia diferentes possibilidades para o setor, que podem envolver restrições à publicidade, limitações aos jogos de cassino online ou medidas mais amplas contra as plataformas.
Até o momento, porém, não há uma proibição total em vigor, e o formato definitivo das medidas ainda está em discussão.
Clubes defendem manutenção do mercado regulado
A possibilidade de novas restrições provocou reação de clubes e entidades esportivas. Na última semana, equipes divulgaram um manifesto defendendo a manutenção do mercado regulamentado e alertando para os impactos econômicos de uma eventual proibição.
Os clubes argumentam que as empresas de apostas autorizadas se transformaram em uma importante fonte de financiamento do futebol e que a perda dos contratos atingiria não apenas grandes equipes, mas também clubes menores, divisões de acesso e competições regionais.
As entidades também sustentam que uma proibição poderia estimular a migração de apostadores para plataformas clandestinas, enquanto os defensores de restrições apontam os impactos sociais e financeiros relacionados ao crescimento das apostas online.
Com aproximadamente R$ 1 bilhão em contratos ligados apenas aos clubes da Série A, o debate coloca frente a frente os impactos sociais atribuídos às apostas e a crescente dependência comercial de parte do futebol brasileiro em relação ao setor.


