
Foram apresentadas as projeções para o arroz, soja, milho grão, milho silagem, feijão, maçã, banana e tabaco. O relatório aponta que o feijão (1ª safra), registrou o maior percentual de queda da área plantada em relação à safra anterior, com recuo de 18%. O maior percentual de aumento da área plantada foi do milho grão (1ª safra), com acréscimo de 2,5%. A Epagri/Cepa também avaliou os dados coletados.
Na safra de arroz, a área plantada em Santa Catarina deve permanecer praticamente estável, estimada em 143.396 hectares, alta de 0,01% em relação à temporada anterior. A produtividade média estadual é projetada em 8.501 kg/ha, redução de 5,8%, enquanto a produção deve alcançar 1,22 milhão de toneladas, também com queda estimada de 5,8%. As principais regiões produtoras são Araranguá, com 501,97 mil toneladas, seguida por Criciúma (185,23 mil t), Joinville (143,61 mil t), Tubarão (122,52 mil t) e Rio do Sul (103,59 mil t). Araranguá concentra 40,8% da área cultivada, seguida por Criciúma (15,3%), Joinville (12,1%), Tubarão (11%) e Rio do Sul (7%).

As principais regiões produtoras concentram parcela significativa da área cultivada. Canoinhas responde por 26,7%, seguida por Xanxerê, com 18,8%, e Campos de Lages, com 14,6%. A redução da área plantada é, neste momento, o principal fator para a projeção de queda na produção estadual, enquanto a expectativa de maior produtividade contribui para amenizar parte dessa redução.

Para a primeira safra de milho grão 2026/27, Santa Catarina deve ampliar a área plantada em 2,5%, alcançando 272.194 hectares, 6,66 mil hectares a mais que no ciclo anterior. A produtividade média é estimada em 9.517 kg/ha, recuo de 0,8%, enquanto a produção deve chegar a 2,59 milhões de toneladas, alta de 1,7%. O aumento da área cultivada contribui com o aumento da produção e compensa a leve redução esperada no rendimento, em um cenário de incertezas climáticas associado à previsão de El Niño forte. A Microrregião de Joaçaba concentra a maior parcela da área, com 18,8%, seguida por Chapecó (14,9%) e Xanxerê (9,6%).

A Microrregião de Chapecó concentra a maior parcela da área prevista para o milho silagem, com 21,3%, seguida por São Miguel do Oeste, com 19%, e Concórdia, com 12,8%. Mesmo com a expectativa de redução da produtividade, o avanço da área cultivada deve resultar em um leve crescimento da produção estadual. No estado, 61% da área destinada ao milho silagem já está plantada, o que representa uma antecipação do plantio dos produtores.

Na primeira safra de soja 2026/27, Santa Catarina deve registrar uma área plantada de 756.403 hectares, redução de 0,3%, ou cerca de 2,6 mil hectares a menos que na safra anterior. A produtividade média, por outro lado, é estimada em 3.941 kg/ha, crescimento de 2,4%. Com isso, a produção estadual deve alcançar 2,98 milhões de toneladas, aumento de 2,1%, equivalente a 60,4 mil toneladas a mais que no ciclo anterior. A leve redução da área está relacionada à preocupação dos produtores com os riscos climáticos diante das previsões de ocorrência do fenômeno El Niño.

A produção estadual está estimada em 778.778 toneladas, alta de 1,1% frente às 770.648 toneladas da safra 2025/26. Joinville concentra a maior parcela da produção, com 365.044 toneladas, seguida por Blumenau (159.712 t), Itajaí (121.280 t) e Araranguá (92.999 t). A microrregião de Joinville também lidera em área colhida, com 12.445 hectares, equivalente a 42,4% do total estadual. As estimativas não consideram possíveis efeitos adversos decorrentes de condições climáticas e meteorológicas.

Para a safra 2026/27, Santa Catarina estima estabilidade na área colhida de maçã, que deve permanecer em 17.065 hectares. Os Campos de Lages concentram a maior parte da área cultivada, com 13.587 hectares, equivalentes a 79,6% do total estadual, seguidos por Joaçaba (15,0%) e Curitibanos (5,4%). A produtividade média estadual deve crescer 5,5%, passando de 39.809 para 42.008 kg/ha, com destaque para a microrregião de Joaçaba, que apresenta expectativa de aumento de 30,1%.

A produtividade média estadual é estimada em 2.414 kg/ha, avanço de 3,83%, enquanto a produção deve alcançar 235.202 toneladas, crescimento de 2,46%. Os resultados, contudo, ainda dependem das condições climáticas ao longo do ciclo. Canoinhas concentra 40,57% da área estimada, seguida por Ituporanga (15,07%) e Rio do Sul (14,42%). A estimativa de área plantada será atualizada em novembro, quando a Afubra divulgar os dados da safra.

De acordo com a meteorologista da Epagri, Marilene de Lima, o El Niño já está configurado e tem previsão de atingir a intensidade muito forte no decorrer da primavera e começo do verão. Com isso, Santa Catarina deve registrar chuvas acima da média, com totais que podem chegar a três vezes o esperado em outubro e novembro. “É importante que os produtores rurais acompanhem as previsões divulgadas pelos órgãos oficiais, especialmente durante os períodos de maior influência dos fenômenos climáticos sobre as atividades agrícolas”, ressalta.
De acordo com a Epagri/Cepa, as estimativas são elaboradas por assistentes de pesquisa que coletam dados junto a informantes das principais regiões produtoras do estado. Entre esses colaboradores estão extensionistas da Epagri, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras instituições ligadas ao meio rural, garantindo um levantamento abrangente e detalhado.

