JUSTIÇA - 10/10/2026 06:48

Ex-funcionário de paróquia é condenado por desviar mais de R$ 100 mil de igrejas em SC

Réu foi condenado a mais de quatro anos de prisão por 11 crimes de furto qualificado; MPSC recorre para ampliar condenação e pedir ressarcimento dos valores
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Acusado confessou os crimes em carta após deixar rombo financeiro Foto: Diocese de Tubarão/Reprodução

Um ex-funcionário da Paróquia de Treze de Maio, no Sul de Santa Catarina, foi condenado por desviar mais de R$ 100 mil da Igreja Matriz e de diversas capelas vinculadas à instituição. A sentença foi obtida nesta sexta-feira (9) pela 2ª Promotoria de Justiça de Jaguaruna.

O réu foi condenado a 4 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática de 11 crimes de furto qualificado, cometidos mediante abuso de confiança e fraude.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o homem era responsável pelo controle financeiro da instituição e, devido aos anos de trabalho, tinha a confiança de seus superiores.

Ele possuía autorização para administrar contas bancárias da paróquia, de capelas e até de sacerdotes, realizando operações como saques, depósitos e pagamentos.

Desvios ultrapassaram R$ 100 mil

De acordo com a denúncia, os crimes ocorreram entre 2011 e 2012. O funcionário teria utilizado a posição que ocupava para se apropriar dos recursos e destiná-los ao pagamento de despesas particulares.

O dinheiro teria sido utilizado para financiar veículos, quitar cartões de crédito e pagar dívidas pessoais.

Os desvios eram realizados de diferentes maneiras, incluindo a apropriação de valores que deveriam ser depositados, preenchimento fraudulento de cheques em branco e movimentações bancárias sem autorização.

Em um dos episódios, no final de 2011, o funcionário recebeu R$ 9 mil que deveriam ser depositados na conta de uma capela, mas teria ficado com o dinheiro.

Em outra situação, registrada em abril de 2012, ele teria se apropriado de R$ 2.366,67 de um valor destinado ao pagamento de uma escultura sacra.

Irregularidades foram descobertas após contas ficarem praticamente zeradas

As suspeitas vieram à tona em abril de 2012, quando tesoureiros das comunidades verificaram que as contas bancárias estavam praticamente sem saldo.

Segundo o MPSC, após a descoberta das irregularidades, o então funcionário tentou ocultar documentos contábeis. Posteriormente, teria deixado uma carta admitindo os atos antes de se afastar das atividades.

“Foi um caso que gerou enorme repercussão na cidade, igrejas que ficaram com suas contas bancárias zeradas”, afirmou a promotora de Justiça Raísa Carvalho Simões Rollin.

A promotora destacou ainda que a quantidade de crimes e a complexidade das movimentações contribuíram para prolongar as investigações e a tramitação do processo.

“Foram diversos crimes cometidos por ele por mais de um ano, o que tornou mais difícil a investigação, por isso, inclusive, a tramitação do processo perdurou um pouco mais até que obtivéssemos a condenação”, explicou.

MPSC quer ampliar condenação e recuperar valores

Apesar da condenação em primeira instância, o Ministério Público apresentou recurso ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

O MPSC busca a condenação do réu por mais um crime de furto, do qual ele foi absolvido em primeiro grau por insuficiência de provas. O caso envolve R$ 12 mil que teriam sido emprestados pela Igreja Matriz a uma das comunidades.

A Promotoria também solicita a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil para ressarcir os prejuízos causados à paróquia.

“A responsabilização criminal é importante, mas também queremos que esse dano causado por ele seja efetivamente reparado”, ressaltou a promotora.

O recurso ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A decisão de primeira instância também pode ser objeto de recurso pela defesa.

Fonte: WH3 com ND+
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