
A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13), em decorrência de um linfoma não Hodgkin (LNH), chama a atenção para um grupo de cânceres que afetam o sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo.
Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SC) registrou 437 casos da doença em 2025. Já entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizados 123 casos, conforme os dados divulgados pela pasta.
No Brasil, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam para aproximadamente 12.560 novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres.
O cantor havia enfrentado a doença e passou por um tratamento conhecido como terapia CAR-T, uma modalidade de imunoterapia que utiliza células de defesa modificadas para combater determinados tipos de câncer.
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin não é uma doença única, mas um grupo de cânceres que se desenvolvem no sistema linfático, especialmente nos linfócitos, células do sangue responsáveis pela defesa do organismo.Existem diferentes tipos da doença, com características e comportamentos variados. Alguns apresentam evolução lenta, enquanto outros podem se desenvolver de maneira agressiva.
As causas nem sempre são conhecidas, mas determinados fatores podem aumentar o risco, como alterações no sistema imunológico, algumas infecções e exposição a certas substâncias químicas.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais da doença variam conforme o tipo de linfoma e a região do organismo afetada.
Entre os sintomas que merecem atenção estão:
- Aumento dos gânglios linfáticos, especialmente no pescoço, nas axilas e na virilha;
- Febre persistente;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Suores noturnos;
- Cansaço excessivo e falta de energia;
- Coceira pelo corpo;
- Tosse ou dificuldade para respirar;
- Dores abdominais, náuseas e outros desconfortos.
A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Terapia CAR-T pode custar até R$ 4 milhões
Entre os tratamentos utilizados em determinados casos de linfoma não Hodgkin está a terapia com células CAR-T, modalidade que utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer.
O procedimento começa com a coleta de células T, um tipo de glóbulo branco responsável pela defesa do organismo.
Essas células são modificadas em laboratório para receber um receptor capaz de reconhecer determinadas proteínas presentes nas células cancerígenas.
Após a modificação e multiplicação, as células CAR-T são introduzidas novamente no organismo do paciente, onde passam a identificar e atacar as células que apresentam o alvo específico.
O tratamento é indicado para situações específicas, principalmente quando a doença não responde adequadamente às terapias convencionais. A indicação depende do tipo de câncer e das condições clínicas do paciente.
Segundo informações divulgadas sobre a tecnologia, o custo pode variar de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões por paciente.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, a terapia CAR-T ainda não está incorporada à oferta regular do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pesquisas brasileiras buscam reduzir custos
O Instituto Butantan desenvolve pesquisas para viabilizar uma versão nacional da terapia CAR-T, em parceria com instituições de saúde e universidades.
Entre os participantes das iniciativas estão unidades ligadas à Universidade de São Paulo (USP), à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ao Hospital Sírio-Libanês e à Beneficência Portuguesa.
A proposta é ampliar o desenvolvimento da tecnologia no Brasil e buscar alternativas que possam reduzir os custos do tratamento.
A terapia já possui aplicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para determinados cânceres hematológicos, incluindo tipos específicos de linfoma não Hodgkin de células B.
Especialistas ressaltam que o diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação médica individualizada, considerando o subtipo da doença, seu estágio e as condições de saúde de cada paciente.

