SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - 19/10/2026 21:33

PGR se manifesta contra investigação de André Mendonça solicitada por Alexandre de Moraes

Procuradoria-Geral da República considera insuficientes os elementos apresentados para justificar apuração por abuso de autoridade; decisão final caberá ao plenário do STF
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Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade Luiz Silveira/STF 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o prosseguimento de uma representação apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicita a abertura de uma investigação criminal contra o também ministro André Mendonça.

Em parecer encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, a Procuradoria concluiu que não há elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação por abuso de autoridade, conforme apontado na representação de Moraes.

O documento foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e por outros três integrantes da PGR.
Apesar da manifestação contrária à investigação, o órgão ressaltou que a decisão sobre autorizar ou não uma apuração criminal envolvendo um ministro do Supremo cabe ao plenário da Corte.

“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, portanto, a representação não apresenta condições de ter seguimento, ressalvado entendimento em contrário do Plenário, titular da decisão de admitir ou recusar autorização para investigar integrante da Corte”, afirma o parecer.

Entenda o pedido de Alexandre de Moraes

A representação foi apresentada por Alexandre de Moraes no mês passado e aponta suspeitas de condutas atribuídas a André Mendonça no acompanhamento de investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Entre os questionamentos estão suposta quebra de imparcialidade judicial, usurpação de atribuições investigativas e possíveis tentativas de direcionar alvos por motivações políticas.

O pedido foi fundamentado em relatórios de inteligência da Polícia Federal relacionados à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e à Operação Compliance Zero.

Segundo a representação, os documentos indicariam que Mendonça teria ultrapassado os limites da supervisão judicial e assumido funções semelhantes às de um responsável direto pela condução dos inquéritos.

Essas alegações foram apresentadas por Moraes e não constituem conclusão de que o ministro tenha cometido irregularidades.

Mendonça questionou documentos da Polícia Federal

André Mendonça contestou a representação e argumentou que os relatórios internos da Polícia Federal não seriam adequados para fundamentar uma investigação criminal contra um integrante do STF.

Na análise, a PGR fez ressalvas sobre o conteúdo dos documentos, mas considerou que eles não deveriam ser invalidados nem classificados como provas ilícitas.

Segundo a Procuradoria, os relatórios contêm registros de fatos e avaliações produzidas no contexto de outras investigações, não tendo sido elaborados especificamente para apurar eventual crime praticado pelo ministro.

O órgão também destacou que os documentos foram encaminhados por determinação judicial, não resultaram em novas diligências investigatórias e apresentavam advertência expressa de que não possuíam valor probatório.

PGR não identifica elementos suficientes para enquadramento criminal

Embora tenha reconhecido que determinados registros poderiam sugerir questionamentos sobre a neutralidade judicial, a Procuradoria concluiu que os fatos apresentados não oferecem fundamento suficiente para enquadrar a conduta de André Mendonça na Lei de Abuso de Autoridade.

Com isso, a PGR recomendou que a representação não tenha prosseguimento.

A manifestação, entretanto, não encerra definitivamente o caso. Caberá ao plenário do Supremo Tribunal Federal decidir se acompanha o entendimento da Procuradoria ou autoriza a abertura de investigação criminal contra o ministro.

Fonte: WH3 com R7
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