
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta terça-feira (3) um quarto foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. O novo caso foi identificado em um estabelecimento avícola de Nova Erechim, no Oeste do Estado, município que já havia registrado uma ocorrência da doença.
Com a confirmação, Santa Catarina contabiliza quatro focos em granjas de perus desde a declaração de emergência zoossanitária. Os registros anteriores ocorreram em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, todos municípios do Oeste catarinense.
Segundo o Ministério da Agricultura, o novo foco foi identificado dentro de uma área que já estava sob restrição sanitária, durante as ações de vigilância realizadas pelas equipes responsáveis pelo controle da doença.
Novo foco foi encontrado em área monitorada
De acordo com o Mapa, o Serviço Veterinário Oficial adotará os procedimentos previstos nos protocolos de emergência zoossanitária para conter a disseminação do vírus.
As medidas incluem investigação epidemiológica, intensificação da vigilância e ações de contenção na propriedade afetada e em seu entorno.
A confirmação do novo caso ocorre após a conclusão das principais medidas sanitárias nos três primeiros estabelecimentos atingidos.
Nessas propriedades, 47.318 aves foram sacrificadas, como parte dos procedimentos para impedir a propagação da doença.
Granjas passam por limpeza e vazio sanitário
Desde 21 de outubro, as propriedades afetadas vêm passando por procedimentos de despovoamento, limpeza e desinfecção, com acompanhamento da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
Após a desinfecção, os estabelecimentos devem cumprir um período de vazio sanitário, durante o qual permanecem sem aves até que sejam atendidas as condições necessárias para a retomada da atividade.
As equipes também intensificaram o monitoramento de outras propriedades avícolas da região.
Segundo as informações divulgadas pelos órgãos sanitários, 70 estabelecimentos comerciais tiveram resultados negativos para a doença nas análises realizadas.
Outros levantamentos epidemiológicos continuam sendo desenvolvidos para avaliar a situação sanitária e subsidiar as medidas de controle.
Exportações de produtos avícolas foram afetadas
A confirmação dos focos da doença de Newcastle provocou restrições comerciais impostas por países importadores de produtos avícolas brasileiros.
Entre os mercados que adotaram suspensões estão China, México, Arábia Saudita, Malásia e Chile.
As medidas variaram conforme o país. Enquanto alguns restringiram produtos originários de Santa Catarina, outros chegaram a suspender temporariamente as importações de todo o território brasileiro.
As restrições atingiram diferentes produtos, incluindo carne de aves, ovos férteis, pintinhos de um dia e outros itens da cadeia avícola.
Após o avanço das ações de controle e desinfecção, o México anunciou a retomada das importações de produtos avícolas brasileiros.
As autoridades sanitárias seguem trabalhando para demonstrar a eficácia das medidas adotadas e buscar a normalização do comércio com os demais mercados.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que pode atingir aves domésticas e silvestres.
Conforme o Ministério da Agricultura, a gravidade da doença depende da variante do vírus e da espécie afetada.
Entre os principais sintomas estão dificuldades respiratórias, diarreia, alterações neurológicas e, nos casos mais graves, elevada mortalidade entre as aves.
A transmissão pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados, secreções e fezes, além de água, alimentos, equipamentos e superfícies contaminadas.
A doença representa uma preocupação importante para a avicultura catarinense, especialmente no Oeste do Estado, região que concentra grande parte da produção de aves.
Com a confirmação do quarto foco, as autoridades reforçam a necessidade de manutenção das medidas de biosseguridade nas propriedades e de comunicação imediata ao Serviço Veterinário Oficial diante de qualquer suspeita da doença.

