O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (4), após a primeira reunião do colegiado desde as eleições de 2026.
Com a manutenção, o Banco Central interrompe uma sequência de cinco reduções consecutivas na taxa de juros, iniciada em março deste ano. Na reunião anterior, realizada em setembro, o Copom havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual.
Em comunicado, o Banco Central informou que a decisão busca garantir a convergência da inflação para a meta estabelecida, mantendo o compromisso com a estabilidade dos preços.
Cenário internacional exige cautela
Entre os fatores que influenciaram a decisão está a deterioração do cenário econômico internacional.
Segundo o Copom, o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio tem pressionado os preços do petróleo e de seus derivados. Além disso, a manutenção de políticas monetárias restritivas nas principais economias mundiais aumenta as incertezas.
No Brasil, os indicadores econômicos mais recentes apontam uma desaceleração mais acentuada da atividade, especialmente em setores sensíveis às condições de crédito e juros.
Diante desse cenário, o Banco Central avaliou que a manutenção da Selic exige cautela para equilibrar o controle da inflação e o desempenho da economia.
Selic vinha em trajetória de queda desde março
A taxa básica de juros permaneceu em 15% ao ano durante parte de 2025 e no início de 2026.
Em março, o Copom iniciou um ciclo de redução, com corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano.
Novos cortes foram realizados nas reuniões de abril, junho, agosto e setembro, até que a taxa atingisse os atuais 13,75%.
A decisão desta quarta-feira representa a primeira manutenção após essa sequência de reduções.
Como a Selic afeta o bolso dos brasileiros?
A Selic é a principal referência para as taxas de juros praticadas no país e influencia diretamente o custo dos empréstimos, financiamentos e operações de crédito.
Quando está elevada, tende a encarecer o crédito e reduzir o consumo, contribuindo para controlar a inflação. Por outro lado, juros mais baixos costumam estimular a atividade econômica, facilitando o acesso a financiamentos e investimentos.
A taxa também influencia a rentabilidade de aplicações financeiras, especialmente investimentos de renda fixa.
O Copom, presidido por Gabriel Galípolo, reúne-se periodicamente para definir os rumos da política monetária brasileira.
A ata da reunião, com mais detalhes sobre os fatores que motivaram a decisão, deverá ser divulgada nos próximos dias úteis.

