ECONOMIA - 20/09/2023 22:26 (atualizado em 21/09/2023 05:38)

Pastora de SC é presa por prometer ‘bênção’ de um octilhão de reais

Investigação descobriu que pastores cobravam investimentos de fiéis em troca de retorno financeiro; um octilhão de reais é maior do que riquezas de todos os países
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Operação foi realizada pela Polícia Civil do DF, com apoio da PCSC – Foto: DIVULGAÇÃO/POLÍCIA CIVIL-DF/ND

Uma pastora de Jaraguá do Sul foi presa nesta quarta-feira (20) em uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal sobre um golpe financeiro, comandado por um pastor de Brasília, que prometia “bênçãos” na casa de “um octilhão de reais” ou “350 bilhões de centilhões de euros”.  A identidade da religiosa catarinense não foi revelada.

Segundo a Polícia Civil, a prisão da pastora faz parte da operação “Falso Profeta”, que cumpriu “dois mandados de prisão preventiva e dezesseis mandados de busca e apreensão, com o objetivo de combater organização que atua na prática de estelionato e outros crimes no Distrito Federal e em várias outras unidades da federação”.

A quantia de um octilhão de reais (1 seguido de 27 zeros) prometida pelo grupo é tão irreal, segundo a Polícia Civil do DF, que é maior do que o PIB mundial — a soma de todas as riquezas dos países — R$ 469 trilhões. O PIB do Brasil é de R$ 7 trilhões (sequência de 12 zeros).

Como funcionava o golpe?

A investigação aponta que os golpistas induziam as vítimas a falsos investimentos com a promessa de retornos milionários.

A estrutura da quadrilha, de acordo com a Polícia Civil, era “hierarquizada e caracterizada pela divisão de tarefas, especializada no cometimento de diversos crimes como falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e estelionatos por meio de redes sociais (fraude eletrônica)”.

Na prática, o golpe consistia na conversa enganosa através de redes sociais, abusando da fé alheia, da crença religiosa e invocando de uma teoria conspiratória apelidada de “Nesara Gesara”, para convencer as vítimas, em sua grande maioria evangélicas, a investirem suas economias em falsas operações financeiras ou falsos projetos de ações humanitárias, com promessa de retorno financeiro imediato e rentabilidade estratosférica.
Segundo a Polícia Civil, foi detectada, por exemplo, a promessa de que somente com um depósito de R$ 25 as pessoas poderiam receber de volta nas “operações” o valor de um octilhão de reais. Ou o retorno de até 350 bilhões de euros por um depósito de R$ 2.000.

O golpe pode ser considerado um dos maiores já investigados no Brasil, uma vez que foram constatadas, como vítimas, pessoas de diversas camadas sociais e localizadas em quase todas as unidades da federação, estimando-se mais de 5 mil vítimas.

Pastores usavam da fé para golpes, diz polícia

De acordo com a investigação, iniciada há cerca de um ano, o grupo é composto por cerca de duzentos integrantes, incluindo dezenas de lideranças evangélicas intitulados pastores, que induzem e mantêm em erro as vítimas, normalmente fiéis que frequentam suas igrejas, para acreditar no discurso de que são pessoas escolhidas por Deus para receber a “benção”, ou seja, as quantias milionárias.

Quadrilha do ‘octilhão de reais’ movimentou R$ 156 milhões

A investigação também apontou movimentação superior a R$ 156 milhões, nos últimos cinco anos, bem como foram identificadas cerca de quarenta empresas “fantasmas” e de fachada, e mais de oitocentas contas bancárias suspeitas.

Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu em Brasília um suspeito de envolvimento no esquema, após ele ter feito uso de documento falso perante uma agência bancária localizada na Asa Sul, simulando possuir um crédito de aproximadamente R$17.000.000.000 (dezessete bilhões de reais). Porém, mesmo após a prisão em flagrante desse indivíduo, à época o principal digital influencer da organização criminosa, o grupo continuou a aplicar golpes.

Os alvos poderão responder, a depender de sua participação no esquema, pelo cometimento dos delitos de estelionato, falsificação de documentos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e organização criminosa.

Fonte: ND+ com Estadao
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