
Um relato impactante e forte, que abordou a violência doméstica e familiar em suas diversas nuances e consequências. Com coragem, a Tenente-Coronel Naíma Huk Amarante, 47 anos, falou abertamente sobre as violências que atravessaram sua vida, desde a infância. Suas colocações fizeram parte da palestra “Homens e Mulheres: uma relação de respeito”, realizada em Maravilha na noite de quarta-feira (27). A atividade foi organizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com a Rede Catarina - programa da Polícia Militar de Santa Catarina, e fez parte do cronograma do Movimento Lilás. O evento foi aberto ao público, e quem esteve presente foi impactado pela mensagem urgente de erradicar a violência.

Hoje, Naíma analisa o contexto da sua infância e adolescência, e os mecanismos em que as violências eram operadas, tanto no ambiente familiar quanto fora dele. Um cenário onde as mulheres eram afastadas de qualquer rede de apoio, silenciadas, julgadas, impedidas de tomar decisões. Infelizmente, vivenciou uma sequência de violências que, desde 2006, estão tipificadas na Lei Maria da Penha (Lei n° 11.340/2006): a psicológica, moral, física, patrimonial e sexual.
A oficial trouxe para a palestra uma crítica contundente ao machismo estrutural, um sistema de valores e práticas de dominação masculina. Expôs pesquisas e dados sobre a origem histórica deste problema social, e como ele segue se perpetuando e se mostrando a partir de diversas faces na sociedade. Apontou exemplos que podem parecer pequenos, mas que respaldam a desigualdade diariamente, como por exemplo, julgar normal um comportamento de um menino, mas criticar a menina que age da mesma forma. Desmistificou a competição feminina e pediu por sororidade. Também falou sobre referências e a representatividade de mulheres em espaços de decisão. Trouxe exemplos de mulheres que marcaram momentos históricos, mas suas trajetórias e feitos não foram visibilizados. Uma delas foi Maria Quitéria, que precisou se passar por homem para servir no Exército Brasileiro e lutar pela Independência do Brasil no início do século XIX.

A apresentação realizada por Naíma reforça a urgência da construção de relações de respeito mútuas entre homens e mulheres, a fim de romper com as raízes do machismo, e seguir em direção a uma sociedade construída de forma justa e com equidade.

Atualmente, Naíma exerce o cargo de Chefe da Secretaria de Programas Institucionais da PMSC, e dentre eles está a Rede Catarina, uma iniciativa que promove um trabalho contundente de enfrentamento à violência doméstica e familiar. Além da realização da patrulha de fiscalização de medidas protetivas, a iniciativa realiza um atendimento sensível às vítimas e contribui com orientações. Dentre as ferramentas de proteção, está a instalação do BOTÃO DO PÂNICO no celular da mulher que possui medidas protetivas de urgência. Este recurso pode ser acionado quando o agressor descumprir a ordem judicial, fazendo com que a guarnição mais próxima se desloque ao endereço onde o celular está localizado. A ferramenta foi responsável por salvar muitas vidas.
Lembrando que a Polícia Militar recebe denúncias de violência doméstica no telefone 190 ou através do aplicativo PMSC Cidadão.

Desde maio de 2022, a Tenente-Coronel Naíma Huk Amarante exerce o cargo de Chefe da Secretaria de Programas Institucionais da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC). Atuou como chefe de gabinete do Diretor da Força Nacional de Segurança Pública (2020-2022). Foi Comandante de Operação piloto da Força Nacional (2019-2020) e Subcomandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (2017-2019).
Durante a carreira, atuou nas cidades de Joinville, Jaraguá do Sul, Cariacica e Brasília. É mentora e facilitadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD). Também é instrutora de tiro.