
A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), os avanços da investigação sobre o caso de maus-tratos que resultou na morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. Familiares dos adolescentes investigados — entre eles um advogado e dois empresários — foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo a Polícia Civil, os familiares foram interrogados e o indiciamento ocorreu após a apuração de que testemunhas teriam sido coagidas durante o andamento das investigações. O inquérito referente a esse crime foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) e já foi concluído, sendo encaminhado ao Fórum.

Durante a investigação, foi instaurado um auto de apuração de ato infracional pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), após a constatação de indícios do envolvimento de adolescentes no caso. A apuração dos atos praticados por adultos, relacionados à coação de testemunhas, ficou a cargo da DPA.
De acordo com a delegada da DPA, Mardjoli Valcareggi, a investigação mobilizou um amplo trabalho técnico. Mais de 20 pessoas foram ouvidas e aproximadamente 72 horas de imagens, provenientes de 14 câmeras de monitoramento públicas e privadas, foram analisadas. Somadas, as gravações ultrapassaram mil horas de material, além de outros elementos relacionados a crimes conexos.
Na segunda-feira (26), equipes da DPA e da DEACLE cumpriram mandados de busca e apreensão em residências dos adolescentes suspeitos e de adultos investigados por coação. Durante a ação, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por análise e devem reforçar o conjunto de provas já reunido.
Em relação aos adolescentes, o procedimento segue em andamento na DEACLE. Conforme a Polícia Civil, a conclusão do caso depende do cumprimento de medidas cautelares e da finalização das oitivas, após a obtenção de todos os mandados judiciais necessários.
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, destacou que a instituição tem priorizado a causa animal e ressaltou a importância das delegacias especializadas na defesa dos direitos dos animais. Ele também reforçou que é proibida a divulgação de imagens, nomes ou qualquer informação que identifique os adolescentes investigados, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A coletiva contou ainda com a presença do diretor de Polícia da Grande Florianópolis, delegado Pedro Henrique de Paula e Silva Mendes, e do diretor do Gabinete da Delegacia-Geral, delegado Marcelo Nogueira.

