TRISTE ESTATÍSTICA - 31/01/2026 21:25

A cada dois dias de 2025, três pessoas morreram em acidentes com motos em SC

Ao todo, 577 pessoas perderam a vida neste tipo de ocorrência no ano passado
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Foto: Marcos de Lima / WH Comunicações 

Santa Catarina teve, em 2025, 577 mortes em acidentes com motos, número 12% superior aos 516 de 2024. Em média, três pessoas perderam a vida a cada dois dias neste tipo de ocorrência. Por mês foram 48 mortes em média. O total de acidentes com motos subiu 3,6% em um ano e chegou a 34.338 no Estado em 2025.


Entre feridos e mortos, os homens são maioria. De 2020 a 2024, ao menos oito em cada dez mortes foram de homens de 20 a 39 anos. Entre os motivos apontados por especialistas estão a maior exposição ao risco, a adoção de comportamentos perigosos e um estilo de condução mais agressivo.

Grande Florianópolis lidera ranking de acidentes com motos

Na Grande Florianópolis, 349 pessoas morreram vítimas de acidentes com motocicletas. Os dados são de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça, de 2020 a 2025. Segundo o Detran (Departamento Estadual de Trânsito), a Capital concentra o maior número de mortes: 117 no período.

Ao todo 37.702 acidentes foram contabilizados em cinco anos — 7.614 deles em 2025 —, alta de 6% no comparativo com o ano anterior.

Prejuízos financeiros, psicológicos e sociais

Os acidentes de trânsito causam prejuízos financeiros às vítimas e ao SUS (Sistema Único de Saúde). Em um ano as internações hospitalares de vítimas destes acidentes em Santa Catarina custaram quase R$ 11 milhões aos cofres públicos. No Brasil, o valor chegou a R$ 257 milhões em 2024.

“São pacientes que precisam passar por mais de um procedimento cirúrgico e depois por um serviço de reabilitação. Então acaba sendo bastante oneroso para o Estado”, afirma o diretor do Hospital Regional de São José, Daywson Koerich.

Além do impacto financeiro, muitas vítimas e familiares passam a conviver com sequelas psicológicas, como o chamado Transtorno do Estresse Pós-Traumático. A psicóloga Jaqueline Frutuoso explica que “esse paciente vai apresentar, por mais de 30 dias, sintomas como ansiedade extrema, dificuldade de regulação emocional e vai reviver o trauma com pesadelos constantes”.

O apoio psicológico é importante. “As cicatrizes não são só físicas. A cicatriz emocional existe e dói muito. O tratamento pode ser feito com psicoterapia”, diz Jaqueline.

Três em cada dez ficam com sequelas permanentes

Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia apontam que três a cada dez motociclistas envolvidos em acidentes ficam com sequelas permanentes, como deformidades, amputações e dificuldade para executar atividades rotineiras. O motivo é a violência das batidas.

O Hospital Regional de São José é referência no primeiro suporte às vítimas de acidentes motociclísticos. Nos últimos dois anos, foram 6.700 atendimentos. De acordo com o diretor da unidade, Daywson Koerich, a gravidade do estado de saúde das vítimas tem aumentado com o passar dos anos. “Geralmente os acidentes envolvendo motocicletas são acidentes de maior impacto, que acabam tendo múltiplas fraturas, e cada vez mais as vítimas chegam em estado gravíssimo”, diz Koerich.

Treinamento e capacitação para reduzir os acidentes

Santa Catarina contabiliza cerca de 33 mil entregadores por aplicativo. Por lei, os entregadores que utilizam moto para atividade remunerada precisam fazer curso de capacitação. No Estado, o Sest/Senat oferece treinamento a motociclistas. “Não podemos pensar em mudar o comportamento de motociclistas depois que acontece um acidente. Precisamos antecipar. Por isso, além do processo de emissão da CNH, é fundamental que eles passem por cursos. Principalmente quem trabalha de moto” explica o instrutor Juan Caruso.

Para o presidente da Comissão Nacional de Direito do Trânsito da OAB, Ilson Krigger, o curso prepara o motociclista para uma direção defensiva, mas é preciso que as empresas contratantes auxiliem os trabalhadores. “As empresas precisam trabalhar no sentido de conscientizar os motociclistas, investir em cursos e dar mais tempo para os transportes. Com excesso de entregas, ele pode se envolver num acidente por querer cumprir a regra da empresa.”

Fonte: ND+
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