
Santa Catarina teve, em 2025, 577 mortes em acidentes com motos, número 12% superior aos 516 de 2024. Em média, três pessoas perderam a vida a cada dois dias neste tipo de ocorrência. Por mês foram 48 mortes em média. O total de acidentes com motos subiu 3,6% em um ano e chegou a 34.338 no Estado em 2025.
Grande Florianópolis lidera ranking de acidentes com motos
Ao todo 37.702 acidentes foram contabilizados em cinco anos — 7.614 deles em 2025 —, alta de 6% no comparativo com o ano anterior.
Prejuízos financeiros, psicológicos e sociais
“São pacientes que precisam passar por mais de um procedimento cirúrgico e depois por um serviço de reabilitação. Então acaba sendo bastante oneroso para o Estado”, afirma o diretor do Hospital Regional de São José, Daywson Koerich.
Além do impacto financeiro, muitas vítimas e familiares passam a conviver com sequelas psicológicas, como o chamado Transtorno do Estresse Pós-Traumático. A psicóloga Jaqueline Frutuoso explica que “esse paciente vai apresentar, por mais de 30 dias, sintomas como ansiedade extrema, dificuldade de regulação emocional e vai reviver o trauma com pesadelos constantes”.
O apoio psicológico é importante. “As cicatrizes não são só físicas. A cicatriz emocional existe e dói muito. O tratamento pode ser feito com psicoterapia”, diz Jaqueline.
Três em cada dez ficam com sequelas permanentes
O Hospital Regional de São José é referência no primeiro suporte às vítimas de acidentes motociclísticos. Nos últimos dois anos, foram 6.700 atendimentos. De acordo com o diretor da unidade, Daywson Koerich, a gravidade do estado de saúde das vítimas tem aumentado com o passar dos anos. “Geralmente os acidentes envolvendo motocicletas são acidentes de maior impacto, que acabam tendo múltiplas fraturas, e cada vez mais as vítimas chegam em estado gravíssimo”, diz Koerich.
Treinamento e capacitação para reduzir os acidentes
Para o presidente da Comissão Nacional de Direito do Trânsito da OAB, Ilson Krigger, o curso prepara o motociclista para uma direção defensiva, mas é preciso que as empresas contratantes auxiliem os trabalhadores. “As empresas precisam trabalhar no sentido de conscientizar os motociclistas, investir em cursos e dar mais tempo para os transportes. Com excesso de entregas, ele pode se envolver num acidente por querer cumprir a regra da empresa.”

