A CPMI do Banco Master foi oficialmente protocolada nesta terça-feira (3) no Senado Federal com um número recorde de assinaturas, uma das iniciativas de maior apoio parlamentar da história recente, de acordo com a oposição no Congresso Nacional. Ao todo, o requerimento para instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito tem 278 assinaturas, sendo 42 senadores e 236 deputados federais, de diversos partidos, número que segundo os parlamentares é bem superior a anteriores registrados para instalação de CPMIs.
A iniciativa, liderada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), pretende investigar denúncias, operações suspeitas e possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição financeira que está no centro do debate político nos últimso meses após sucessivas revelações e questionamentos sobre sua atuação no mercado.
Segundo deputados e senadores que saíram reunidos pelo Salão Verde da Câmara até o protocolo, no Senado, o grande número de adesões à CPMI do Banco Masterreflete não apenas a mobilização da oposição, mas também a pressão cada vez maior de parlamentares de diferentes lados da política por explicações sobre o escândalo financeiro da instituição. Nos bastidores, a avaliação é de que o caso se tornou politicamente incontornável diante da repercussão pública e da cobrança de maior transparência.
Para Carlos Jordy, que liderou o movimento pela CPMI, o apoio mostra a gravidade das denúncias. “Alcançamos um recorde histórico de assinaturas para a instalação de uma CPMI. Isso demonstra que o Parlamento está atento e disposto a investigar um escândalo que causa indignação na população. Não podemos permitir que fatos dessa magnitude fiquem sem respostas”, afirmou o deputado.
Já o Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que as notícias envolvendo o Banco Master, seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, e autoridades, inclusive da justiça, são vergonhosas. “É escandaloso um ministro da Suprema Corte pegando carona em jatinho de advogado (…), contratos milionários com esposa de ministro (…). Várias outras acusações gravíssimas”.
O Banco Master já vinha sendo alvo de críticas e questionamentos após reportagens, representações e pedidos de apuração apresentados por parlamentares e entidades da sociedade civil. Embora a instituição, liquidada em novembro pelo Banco Central negue irregularidades, o acúmulo de denúncias gerou um ambiente de desconfiança que impulsionou a articulação política em torno da comissão.
Além do requerimento principal, outros pedidos de informações e solicitações de auditorias foram apresentados nos últimos meses, ampliando o cerco institucional. Parlamentares apontam possíveis falhas de fiscalização, relações controversas e operações financeiras que, segundo eles, precisam ser analisadas com rigor.
Após ser protocolado no Senado, o próximo passo é a leitura do pedido em sessão conjunta do Congresso, etapa necessária para a instalação formal da comissão. “Cumprimos todas as exigências legais e superamos com ampla margem o número mínimo de assinaturas. Agora, aguardamos apenas os trâmites regimentais para que a comissão seja instalada e comece a trabalhar. A investigação será técnica, responsável e transparente”, reforçou Jordy.
Além dessa CPMI, há outros dois pedidos de investigação sobre o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Mais cedo, o PT anunciou que vai assinar outros dois requerimentos, mas não participou deste da oposição, por considerar o movimento mais como um “palco político”. Nesta segunda (2), o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou um pedido de investigação na Câmara, com poucas chances de avançar, em função de uma longa lista de pedidos anteriores que aguardam despacho do presidente da Câmara. E outro pedido de CPMI foi formulado por parlamentares que integram a base aliada do Governo no Congresso Nacional.

