A restrição na oferta de combustíveis como gasolina e diesel é uma realidade para a maioria dos postos no Rio Grande do Sul. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro) aponta que 88% dos estabelecimentos enfrentam dificuldades para receber produtos das distribuidoras.
A pesquisa foi realizada na terça-feira (24) com 1.253 postos. Entre os principais itens com restrição estão gasolina comum, gasolina aditivada, diesel S500 e diesel S10. Nos últimos dias, Zero Hora tem registrado casos de postos com escassez de algum tipo de combustível em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Na segunda-feira (23), cinco dos 10 postos visitados na Capital estavam com alguma falta no estoque.
De acordo com a entidade, a situação está relacionada à crise no Oriente Médio, que teria provocado uma restrição por parte das distribuidoras. Conforme a Sulpetro, as cargas estão sendo entregues em quantidade abaixo do normal.
Outro fator apontado é o aumento da demanda por compras junto às companhias, o que também contribui para a limitação no abastecimento.
O levantamento ouviu postos com e sem bandeira em diversas regiões do Estado. A exceção é a Serra Gaúcha, que possui sindicato próprio e não foi incluída na pesquisa.
“Se não conseguir preço competitivo vou fechar o posto”
Para postos sem bandeira, o desafio é ainda maior. Sem um convênio com distribuidoras, a busca por empresas que tenham combustível disponível é cada vez mais restrita, e o preço mais alto.
Pedro Bazlevitz é proprietário de um posto na Avenida Bento Gonçalves, na zona leste de Porto Alegre, conhecido por vender gasolina por um preço abaixo do mercado. No entanto, desde o início das restrições, o valor do litro subiu mais de R$ 1. Nesta manhã, a gasolina comum era vendida a R$ 6,78. O posto, sempre movimentado, estava vazio.
— O produto eu estou conseguindo em menor quantidade. Eu comprava 25 mil (litros) por dia, agora estou conseguindo no máximo 10 mil. Só que o que tá acontecendo é que tem distribuidora que tá se aproveitando disso pra subir os preços. Se eu não conseguir combustível com preço competitivo eu vou fechar o posto. Porque eu tenho que valorizar meu trabalho. Se eu não conseguir pagar o meu funcionário é melhor fechar — lamenta Pedro.
Grande parte dos combustíveis que são levados aos postos é produzida na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) em Canoas, subsidiária da Petrobras. A reportagem entrou em contato com a estatal que se manifestou por nota (leia abaixo).
Veja a nota da Petrobras
A Petrobras esclarece que, desde o desinvestimento da BR Distribuidora, concluído em julho de 2021, não atua no setor de distribuição de combustíveis.
Importante complementar que, de acordo com contrato de licenciamento, firmado no processo de desinvestimento, foi permitido à Vibra Energia usar as marcas Petrobras e BR nos seus postos, caminhões e materiais oficiais. Dessa forma, ainda que sua marca seja exibida pela Vibra, hoje, a Petrobras não possui postos de abastecimento.
O preço de venda da Petrobras para as distribuidoras é apenas um dos fatores que compõem o preço pago pelo consumidor final nos postos. O valor na bomba também é influenciado pelos preços praticados por outros agentes do mercado, e ainda inclui o custo da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, e de biodiesel ao diesel, além de tributos e de custos e margens de distribuição e revenda, sobre os quais a Petrobras não tem ingerência.
Mais detalhes sobre a composição do preço final dos combustíveis estão disponíveis na seção "Entenda como são formados os preços" do site https://precos.petrobras.com.br/. Informações complementares sobre distribuição e revenda também podem ser obtidas com as empresas distribuidoras e suas entidades representativas.
O que diz o Sindisul
A atual conjuntura do mercado de combustíveis é marcada por uma combinação de fatores, como o cenário internacional, o aumento do custo de importação, ajustes na oferta das refinarias e a elevação sazonal da demanda, em razão da época de safra no estado gaúcho.
O Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis do Estado do Rio Grande do Sul (Sindisul) ressalta que o fornecimento segue ocorrendo no estado, ainda que em um ambiente mais desafiador para os agentes do setor.
Diante desse contexto, podem ocorrer oscilações pontuais nas entregas, relacionadas à necessidade de reorganização logística e operacional da cadeia, sem que isso represente falta generalizada de produto.

