
A Unoesc realizou, nesta terça-feira (24), um evento em São Miguel do Oeste em alusão ao Dia Mundial da Água, reunindo mais de 600 estudantes dos anos finais do ensino fundamental de oito escolas.
Durante a programação, foram apresentados estudos sobre a qualidade da água desenvolvidos ao longo de 22 anos pela universidade. Os dados chamam a atenção para altos índices de contaminação, principalmente em locais onde não há monitoramento regular e em águas provenientes de enchentes.
O evento contou com a participação dos professores doutores Jackson Fabio Preuss e Eliandra Mirlei Rossi, além de atividades práticas com microscópios e ações interativas em parceria com a empresa Vignatti Formaturas.
De acordo com os estudos, entre instituições que realizam monitoramento frequente da água, apenas 16% das amostras analisadas em 2025 foram consideradas impróprias para consumo. A maioria desses casos (58,95%) está relacionada ao uso de água de poços sem tratamento.
Já entre águas tratadas, o índice de contaminação foi bem menor: 3,6%, geralmente causado por falhas na limpeza de reservatórios ou na dosagem de cloro.
Por outro lado, a situação é mais preocupante entre a população que não realiza análises periódicas. Nesses casos, entre 60% e 90% das amostras são impróprias para consumo. Em um levantamento recente, 87,13% das amostras apresentaram contaminação, principalmente microbiológica.
Poços superficiais registraram os piores índices, com 95,76% de contaminação, enquanto poços profundos apresentaram 56,67%.
Outro estudo analisou 54 amostras de água de enchentes em áreas urbanas de São Miguel do Oeste. Os resultados apontaram que cerca de dois terços das amostras estavam contaminadas.
A pesquisa também identificou a presença de bactérias resistentes a antibióticos, aumentando os riscos à saúde da população. A maior incidência foi registrada no inverno, período com maior volume de chuvas.
Segundo a professora Eliandra, o principal problema está na falta de monitoramento.
“Os dados mostram que o maior risco não é apenas a qualidade da água, mas a ausência de controle e cuidados regulares”, destacou.
Já o professor Jackson reforçou o perigo do contato com água contaminada.
“Muitas pessoas não percebem que a água das enchentes, mesmo sem ser para consumo, pode causar riscos ao entrar em contato com a pele ou objetos do dia a dia”, explicou.
Além da apresentação dos estudos, o evento teve como objetivo aproximar os estudantes do tema e incentivar práticas preventivas.
As pesquisas reforçam a necessidade de ampliar o acesso à análise da água, investir em saneamento básico e promover ações educativas para reduzir riscos à saúde da população.

