
Divulgação/MPSC
O lançamento do Mapa do Feminicídio pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta semana acende um alerta importante: ao aprofundar a análise dos casos, o estudo revela cenários preocupantes não apenas em nível estadual, mas especialmente na região Oeste catarinense.
Em entrevista exclusiva à Líder FM, a Coordenadora-Geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, destacou pontos críticos identificados através do levantamento. A profissional atuou no trabalho de construção da ferramenta, ficando responsável pela análise dos dados e de seus efeitos na sociedade.
Interiorização da violência preocupa
Embora cidades como Joinville, Florianópolis, Itajaí e Blumenau liderem em números absolutos, locais com maior densidade demográfica, chama atenção para a interiorização da violência.
Quando analisados os índices proporcionais por 100 mil mulheres, municípios do Oeste apresentam taxas superiores de feminicídio em relação a média estadual, que é de 1,71. O cenário é observado com o um corredor do feminicídio.
Na região:
- Chapecó registra 2,55
- Xanxerê chega a 5,5
- São Lourenço do Oeste atinge 6,98
Os dados consideram o período de 2020 a 2024 e ainda não incluem casos recentes de ocorrências registradas em Maravilha, nos meses de agosto de de 2025 e janeiro de 2026, o que pode elevar ainda mais esses indicadores em futuras atualizações. Os dados são abertos e estão disponíveis no site no MPSC, neste link.
Fim do relacionamento é principal motivação
Outro dado relevante é o principal fator desencadeador dos crimes: o término da relação.
No Oeste, essa circunstância está presente em 40% dos casos. Também há predominância do chamado feminicídio íntimo, cometido por parceiros ou ex-parceiros.
Perfil das vítimas revela vulnerabilidades
A análise regional mostra uma convergência de fatores socioeconômicos que aumentam a vulnerabilidade das vítimas de feminicídio:
- Baixa escolaridade
- Vínculos de trabalho precários
Além disso, a Drª Chimelly Louise de Resenes Marcon aponta que os casos seguem um padrão de escalada da violência, em relações mais longas, que se intensifica ao longo do tempo até chegar ao feminicídio.
Este contexto também pode estar ligado ao conjunto de fatores que contribui para a dependência financeira do agressor, dificultando o rompimento de relações abusivas.
Políticas públicas são fundamentais
Um dos objetivos do MPSC, é que o Mapa do Feminicídio seja utilizado como ferramenta estratégica para orientar decisões administrativas e políticas públicas.
Entre as ações consideradas essenciais estão:
- Educação
- Programas de geração de emprego e renda
“O que o Mapa nos traz é essa lupa para enxergar de que modo contribuir, ciente desta realidade, com o enfrentamento do feminicídio”, destacou a promotora.
Ações integradas entre os poderes
Durante o ato de lançamento da ferramenta, foi firmado um pacto de cooperação entre diversas instituições, incluindo:
- MPSC
- Governo do Estado
- Tribunal de Justiça de Santa Catarina
- Tribunal de Contas do Estado
- Assembleia Legislativa
Capitaneado pelo MPSC, o acordo entre os Poderes prevê atuação conjunta, com base nos dados do relatório do Mapa, para planejar, executar e avaliar ações destinadas à proteção das mulheres contra a violência.
Maravilha terá núcleo de apoio às vítimas
Uma das medidas práticas já anunciadas é a expansão dos NEAVITs em Santa Catarina, em parceria com o Governo do Estado, que passarão de 11 para 32 unidades.
Maravilha está entre os municípios contemplados com essa estrutura do MPSC.
Os núcleos oferecem:
- Servidores do MPSC prestando orientação jurídica e acompanhamento de processos
- Contará com profissional da área de psicologia para acolhimento
- Assistente social
A promotora também destacou a importante parceria com a Defensoria Pública e iniciativas como a OAB por Elas.
Rede apoio em Maravilha
190 - Polícia Militar de Santa Catarina para situação de emergência
180 - Central de atendimento à mulher em situação de violência
181 - Disque denúncia da Polícia Civil de Santa Catarina
Defensoria Pública - Prestação de assistência jurídica gratuita para pessoas em situação de vulnerabilidade. 3664-6590 e 3664-6561
CEAV - Central especialidade de atendimento às vítimas de crimes, de atos infracionais e de violência doméstica e familiar do Poder Judiciário. 48 3287-2637, 48 3287-2636 e 48 3287-2635 (WhatsApp)
Poder Judiciário - Para informações sobre processos em trâmite na 2ª Vara da Comarca de Maravilha. 49 3631 8830 (WhatsApp)
Ministério Público - Para informações sobre processos da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Maravilha. 49 99200-8705 (WhatsApp)
Rede Catarina PMSC - Fiscalização das medidas protetivas de urgência. 48 9 8844-3904 (WhatsApp)
DPCAMI - Delegacia de Proteção à Criança ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso 49 3664-6554
OAB - Ordem dos Advogados da Subseção de Maravilha - também conta com o programa OAB por Elas em Maravilha 49 3664-3870
CRAS – Centro de Referência de Assistência Social. Atende famílias em situação de vulnerabilidade, oferecendo apoio, orientação e acesso a serviços e programas sociais. 3664-3466 (WhatsApp)
CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Oferece atendimento especializado a pessoas e famílias que vivenciam situações de violência ou violação de direitos. 3664-2286 (WhatsApp)
Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de Maravilha - vereadora Simone Tonello 49 9956-6124