INDAIAL - 17/04/2026 15:39

Conselho Regional de Medicina abre sindicância sobre mortes de mãe e bebê que chocaram SC

Mãe e bebê morreram após quatro idas consecutivas ao Hospital Beatriz Ramos, de Indaial
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Jovem de 18 anos estava no sétimo mês de gestação(Fotos: Redes sociais, Reprodução)

O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) informou nesta sexta-feira (17) que abriu uma sindicância para apurar a morte de mãe e bebê após quatro idas consecutivas ao Hospital Beatriz Ramos, de Indaial. O órgão é responsável por fiscalizar a atuação dos médicos.

O CRM-SC disse que já solicitou informações à unidade de saúde e ressaltou que apura a conduta ética de todos os médicos envolvidos nos atendimentos à jovem Maria Luiza Bogo Lopes, grávida de sete meses. Conforme a assessoria de imprensa do órgão, não há prazo para a sindicância ser concluída.

A Polícia Civil também tem uma investigação sobre o caso em andamento. O delegado Ícaro Malveira já ouviu alguns médicos do Hospital Beatriz Ramos, denunciado pela família por negligência, e do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, para onde a vítima foi levada às pressas e não resistiu.

Outras pessoas serão ouvidas no decorrer da próxima semana.

Um dos médicos que prestou atendimento à Maria Luiza foi afastado do cargo pelo hospital de Indaial. A direção disse se tratar de medida em “caráter estritamente preventivo, adotada em razão da gravidade e sensibilidade dos fatos, sem qualquer antecipação de juízo acerca de eventual responsabilização”.

Uma série de falhas

O laudo feito pela Polícia Científica, com base nos prontuários médicos, apontou falhas em duas das quatro vezes que a paciente passou pelo Hospital Beatriz Ramos se queixando de fortes dores pelo corpo. O documento foi entregue à Polícia Civil na última sexta-feira (10) e permitiu ao delegado Ícaro Malveira fazer alguns apontamentos.

Os principais dele são que a jovem deveria ter sido internada na segunda visita ao hospital, quando os exames começaram a mostrar as plaquetas baixando. Isso porque se tratava de uma gestação de alto risco, considerando que Maria Luiza tinha recebido recentemente o diagnóstico de diabetes gestacional. Nessa ida à unidade de saúde, a mãe da jovem diz que a médica cogitou se tratar de dengue.

A Polícia Civil diz que o exame para essa doença só foi feito quando a grávida chegou ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde passou por um parto de emergência do qual nem ela nem o bebê resistiram. O resultado apontou dengue hemorrágica. Antes de ir para essa unidade, porém, ela teve o terceiro atendimento no Beatriz Ramos, onde não passou por exames. Foi medicada e liberada.

Na quarta e última ida ao hospital de Indaial, Maria Luiza chegou em um carro da prefeitura, levada pela equipe do posto de saúde onde fazia o pré-natal. Foi lá que a jovem de 18 anos buscou ajuda após não melhorar com o atendimento feito no Beatriz Ramos. Ela já estava com partes do corpo roxas, apresentava desidratação e foi logo transferida para Blumenau, onde chegou em estado grave.

Uma hora e meia após passar por um parto de emergência em que a filha morreu, a mãe também não resistiu. A família enterrou as duas no fim de semana de Páscoa.

Fonte: NSC
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