
O fenômeno El Niño foi oficialmente confirmado nesta quinta-feira (11) e deve influenciar as condições climáticas em Santa Catarina ao longo dos próximos meses. O anúncio foi feito pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), enquanto a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil acompanha a evolução do cenário e intensifica medidas de prevenção em todo o território catarinense.
A confirmação ocorreu após o Oceano Pacífico Equatorial registrar aquecimento superior a 0,5 °C, aliado a uma resposta atmosférica compatível com o fenômeno. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte em 2026, com anomalias acima de 2 °C entre os meses de novembro e janeiro. Caso se confirme, este poderá ser um dos episódios mais intensos desde 1950.
Apesar do alerta, meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina ressaltam que ainda é cedo para prever impactos específicos no estado. A tendência é que os efeitos se tornem mais perceptíveis nos próximos meses, principalmente durante a primavera, período historicamente marcado por maior volume de chuvas e eventos extremos.
Entenda o fenômeno
O El Niño costuma favorecer o aumento da frequência e da intensidade das chuvas no Sul do Brasil, elevando o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra. A gravidade dos impactos, no entanto, depende da configuração atmosférica de cada evento e das características de vulnerabilidade das regiões atingidas.
Em Santa Catarina, os principais reflexos do fenômeno geralmente ocorrem entre setembro e novembro. No último episódio, os efeitos mais severos começaram no segundo semestre de 2023, com chuvas intensas em várias regiões, estendendo-se até o outono de 2024, quando eventos extremos atingiram o Rio Grande do Sul.
Duração prolongada
As projeções indicam que o El Niño deve ganhar força gradualmente, com pico entre a primavera e o verão, podendo se estender até o outono de 2027. Diante da elevada probabilidade de um evento intenso, o governo catarinense decretou, em maio, estado de alerta climático, permitindo ações antecipadas como o pré-posicionamento de equipes, contratação preventiva de equipamentos e definição de protocolos para situações de emergência e calamidade pública.
Ações preventivas
Na próxima segunda-feira (15), a Defesa Civil estadual realizará uma reunião do Comitê de Gestão de Crises para alinhar estratégias de monitoramento, logística, resposta e assistência humanitária.
Além disso, a Operação Primavera 2026 mobiliza os 295 municípios catarinenses com ações de limpeza de córregos e
sistemas de drenagem, vistorias em áreas de risco, simulados de evacuação, desassoreamento de rios e atualização dos planos de contingência.
O estado também conta com uma rede de 172 estações hidrometeorológicas, quatro radares meteorológicos e monitoramento permanente realizado por equipes técnicas. Os alertas são enviados à população por SMS, WhatsApp e pelo sistema Defesa Civil Alerta.
A recomendação é que a população acompanhe os avisos oficiais e siga as orientações das autoridades. Em situações de risco, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.

