
O Procon de Santa Catarina autuou 41.230 plataformas de apostas eletrônicas ilegais durante uma operação de fiscalização voltada ao combate às chamadas "bets" clandestinas. De acordo com o órgão, grande parte dessas plataformas pertence ao mesmo grupo econômico e opera a partir do exterior, o que dificulta a fiscalização e a responsabilização dos envolvidos.
Segundo a diretora do Procon/SC, Michele Alves, o crescimento das apostas online tem provocado impactos que vão além das relações de consumo, afetando diretamente a saúde financeira e a estrutura familiar de milhares de pessoas.
Diante do aumento dos casos de endividamento e dependência relacionados às apostas, o Procon intensificou as ações de fiscalização e ampliou o atendimento aos consumidores. Como parte desse trabalho, Michele Alves participará, no próximo dia 6 de julho, de uma reunião internacional na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), na Suíça, para apresentar o cenário brasileiro e discutir formas de cooperação entre países no enfrentamento às plataformas ilegais.
Dívidas passam de R$ 200 mil
O Núcleo de Apoio ao Superendividado do Procon/SC já registrou casos de consumidores que venderam veículos e imóveis para continuar apostando. Em algumas situações, as dívidas ultrapassam R$ 200 mil, resultado da contratação de empréstimos, crédito consignado e utilização do limite dos cartões de crédito.
O núcleo oferece atendimento especializado por meio de uma equipe formada por advogados, psicólogos e economistas, que prestam orientação financeira, apoio psicológico e intermediação com instituições financeiras.
Cresce procura por ajuda
Desde o início da Copa do Mundo, mais de 200 catarinenses procuraram o Procon em busca de auxílio por dificuldades financeiras relacionadas às apostas esportivas.
Dados do Ministério da Previdência Social também apontam o avanço do problema. Apenas em 2025, foram concedidos 402 benefícios por incapacidade temporária a trabalhadores afastados em decorrência de transtornos associados às apostas.
Atualmente, o Brasil possui 187 marcas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. Apesar disso, o Procon catarinense afirma ter identificado milhares de plataformas clandestinas atuando irregularmente no estado.

