TRAGÉDIA AÉREA - 01/07/2026 13:50

Famílias de vítimas do acidente da Voepass ouvem áudio da caixa-preta e PF indica possíveis responsabilizações

Reunião em Campinas apresentou laudo técnico que deve embasar conclusão do inquérito sobre a queda do voo 2283; associação afirma que indiciamentos devem ocorrer
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Foto: Arquivo / Jornalismo WH3

Familiares das 62 vítimas do voo 2283 da Voepass tiveram acesso, pela primeira vez, ao conteúdo da caixa-preta da aeronave e ao laudo pericial elaborado pela Polícia Federal que deve servir de base para a conclusão do inquérito sobre o acidente ocorrido em agosto de 2024.

O encontro aconteceu nesta terça-feira (30), na Superintendência da Polícia Federal em Campinas (SP), reunindo investigadores e representantes da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283.

Segundo o advogado da associação e assistente de acusação, Luciano Katarinhuk, o material apresentado indica que o processo investigativo está próximo do encerramento e pode resultar no indiciamento de responsáveis pela tragédia.

“Faltam alguns procedimentos, mas existe a confirmação de que haverá indiciamentos. Os próximos 30 dias serão decisivos para a finalização e encaminhamento do inquérito ao Ministério Público Federal”, afirmou.

Caixa-preta e laudo com mais de 200 páginas foram apresentados às famílias

Durante a reunião, os familiares ouviram a gravação da conversa registrada na cabine da aeronave nos momentos que antecederam a queda.

Além disso, tiveram acesso ao mais recente laudo técnico da investigação — documento com mais de 200 páginas que reúne análises periciais e elementos considerados essenciais para a conclusão do caso.

De acordo com o advogado, tanto o conteúdo do laudo quanto outras provas já produzidas apontariam para responsabilidades relacionadas à autorização da operação da aeronave.

“Aquele voo não deveria estar voando. Por que ele estava voando? Existe responsabilidade de quem colocou esse avião para voar”, declarou.

Associação cobra responsabilização

A presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque, que perdeu um familiar no acidente, afirmou que o objetivo é garantir responsabilização e evitar que tragédias semelhantes voltem a acontecer.

“Não foi um acidente, foi uma tragédia anunciada, foi uma construção de negligência”, declarou após o encontro.

Ela e os representantes das famílias defendem que a investigação avance para responsabilização criminal, caso sejam confirmadas falhas ou irregularidades.

A Polícia Federal foi procurada para comentar os detalhes apresentados na reunião, mas ainda não havia se manifestado até a publicação.

Relembre o caso

O voo 2283 da Voepass caiu no dia 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, interior de São Paulo, provocando a morte de 62 pessoas.

A aeronave, um ATR 72-500, havia decolado de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).

O acidente se tornou o maior desastre da aviação comercial brasileira desde 2007 e um dos mais graves já registrados envolvendo esse modelo de aeronave.

Paralelamente ao inquérito da Polícia Federal, o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) continua conduzindo a apuração técnica das causas da queda. Entre as hipóteses analisadas está a possibilidade de formação de gelo nas asas da aeronave.

Fonte: CNN Brasil
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