
Uma das maiores operações já realizadas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Santa Catarina resultou na denúncia de 164 pessoas à Justiça. A ação é resultado da Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Mandados foram cumpridos na região Extremo Oeste.
A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital e possui mais de 1,5 mil páginas, detalhando a estrutura e a suposta atuação da organização criminosa em Santa Catarina.
Conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), entre os denunciados estão pessoas que exerceriam diferentes funções dentro da estrutura da facção. 31 foram apontadas como integrantes da cúpula e do alto escalão, 74 exerceriam funções intermediárias de coordenação regional, disciplina ou gestão operacional e outras 60 estariam ligadas à base da organização.
Segundo a acusação, o PCC mantinha uma estrutura dividida em 12 núcleos organizacionais, com cadeia de comando, divisão de tarefas e setores responsáveis por diferentes atividades.
Todos os denunciados respondem por promoção ou integração de organização criminosa. Além disso, 21 pessoas foram denunciadas por tráfico de drogas e três por comércio ilegal de armas de fogo.
O Ministério Público também pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado, a título de reparação por danos morais coletivos supostamente causados à sociedade catarinense. Caso o pedido seja acolhido integralmente para os 164 denunciados, o valor pode chegar a R$ 32,8 milhões.
Estrutura dentro e fora dos presídios
De acordo com o MPSC, a investigação identificou uma estrutura organizada de comunicação e comando que permitiria a atuação da facção tanto nas ruas quanto dentro do sistema prisional.
Os investigados utilizariam aplicativos de mensagens criptografadas para transmitir ordens, compartilhar estratégias, cadastrar integrantes e realizar julgamentos internos. A estrutura possibilitaria ainda a participação de membros presos nas decisões do grupo.
A investigação também identificou setores responsáveis pela gestão financeira e logística de armas, incluindo compra, manutenção, controle interno e redistribuição do armamento.
Entre os elementos apontados pela investigação está a atuação de uma pessoa especializada na modificação de simulacros de airsoft para transformá-los em armas de fogo funcionais.
Adolescentes estariam entre os alvos de recrutamento
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a suposta estratégia de recrutamento de novos integrantes, inclusive adolescentes.
Conforme a investigação, jovens poderiam passar pelo chamado “batismo” da facção a partir dos 16 anos, ingressando formalmente na estrutura criminosa.
A operação recebeu o nome de “Coluna Sul” em referência à estrutura regional que, segundo a investigação, seria utilizada pelo PCC para coordenar atividades em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Com a denúncia apresentada, caberá agora ao Poder Judiciário analisar as acusações e o prosseguimento das ações penais contra os investigados.

