O avanço dos casos de sarampo em países das Américas colocou as autoridades sanitárias brasileiras em alerta. O Ministério da Saúde intensificou as ações de vigilância e vacinação para evitar que a doença volte a circular de forma contínua no Brasil, que recuperou a certificação de eliminação do sarampo em novembro de 2024.
A preocupação ocorre diante do aumento de casos em países vizinhos, como Peru e Bolívia, e da cobertura vacinal brasileira ainda abaixo dos níveis considerados ideais para impedir a transmissão do vírus.
Segundo o diretor do Departamento Nacional de Imunizações (DPNI), Eder Gatti, o governo está reforçando a vacinação com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, especialmente nos municípios que fazem fronteira com o Peru, no oeste do Amazonas.
Vacinação ainda está abaixo da meta nacional
Apesar de o Brasil apresentar sua melhor cobertura vacinal contra o sarampo desde 2016, nenhum estado atingiu a meta de 95% das crianças menores de dois anos com o esquema completo de duas doses.
Atualmente, a cobertura nacional com duas doses da tríplice viral está abaixo de 80%, índice considerado preocupante pelos especialistas.
Entre os estados com melhores indicadores em 2026 estão Paraná, com 86,76%, Ceará, com 86,69%, e Minas Gerais, com 86,05%.
Já os menores percentuais foram registrados no Amapá, com 63,59%, Pará, com 67,02%, Maranhão, com 69,66%, e Rio de Janeiro, com 69,74%.
A meta de 95% é considerada fundamental porque o sarampo está entre as doenças infecciosas mais contagiosas. Mesmo pequenas concentrações de pessoas não vacinadas podem favorecer a ocorrência de surtos.
Brasil registra casos importados da doença
Embora tenha recuperado a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo, o Brasil continua registrando casos associados à entrada do vírus no território nacional.
Em 2025, foram contabilizados 39 casos. Em 2026, o número já ultrapassou 50, com maior concentração de ocorrências no estado de São Paulo.
Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a entrada de casos importados é esperada diante da circulação internacional de pessoas.
O especialista explica que o principal desafio é impedir que essas infecções provoquem cadeias prolongadas de transmissão.
A situação preocupa especialmente porque países das Américas enfrentam surtos expressivos. Os Estados Unidos, por exemplo, já ultrapassaram 3,6 mil casos em 2026, com cinco mortes registradas.
Sarampo pode provocar complicações graves
O sarampo é uma doença viral transmitida pelo ar, por meio da tosse, espirros, fala ou respiração de pessoas infectadas.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, tosse seca, conjuntivite, mal-estar e manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
Apesar de muitas vezes ser associado apenas às manchas na pele, o sarampo pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Entre as principais complicações estão pneumonia, infecções de ouvido e encefalite, uma inflamação do cérebro que pode causar sequelas permanentes ou morte.
Especialistas também alertam que a doença pode enfraquecer temporariamente o sistema imunológico, deixando a pessoa mais vulnerável a outras infecções durante meses após a recuperação.
Confira quem deve tomar a vacina
A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Calendário Nacional de Vacinação estabelece as seguintes recomendações:
- Aos 12 meses: primeira dose da tríplice viral.
- Aos 15 meses: segunda dose para completar o esquema infantil.
- De 5 a 29 anos: duas doses documentadas.
- De 30 a 59 anos: pelo menos uma dose documentada.
Em situações específicas, como surtos, as autoridades sanitárias podem recomendar estratégias adicionais de vacinação.
Duas doses da tríplice viral oferecem aproximadamente 97% de proteção contra o sarampo.
O Ministério da Saúde orienta a população a conferir a carteira de vacinação e procurar uma unidade de saúde em caso de dúvidas sobre a necessidade de atualização das doses.
A recomendação é especialmente importante para quem pretende viajar a regiões ou países com circulação do vírus.
Especialistas reforçam que manter a vacinação em dia é a principal medida para evitar novos surtos e preservar a condição do Brasil como país livre da circulação endêmica do sarampo.

