PREPARE O BOLSO! - 28/10/2026 13:58 (atualizado em 28/10/2026 14:20)

Reforma tributária pode elevar imposto sobre consumo no Brasil a 30%, maior alíquota padrão do mundo

Estimativa considera percentual de 11,3468% para a CBS, aprovado pelo TCU, e projeção de 18,7% para o IBS; valores ainda dependem de definições oficiais
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Brasil pode ter o maior imposto sobre consumo do mundo | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil poderá ter a maior alíquota padrão de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo caso sejam confirmados os percentuais previstos para os dois tributos criados pela reforma tributária.

Nesta quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o percentual de 11,3468% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá impostos atualmente cobrados sobre o consumo.

Somado à estimativa de 18,7% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência dos estados e municípios, o percentual total chegaria a aproximadamente 30,05%.

A projeção colocaria o Brasil acima da Hungria, que atualmente possui uma alíquota padrão de 27%, a maior entre os países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conforme levantamento de 2026 da Tax Foundation.

Brasil poderá superar países europeus

De acordo com o levantamento internacional, a Hungria aparece com uma alíquota de 27%, seguida pela Finlândia, com 25,5%.

Dinamarca, Suécia e Croácia possuem percentuais de 25%.

A média dos países da OCDE é de 19,4%, aproximadamente 10,65 pontos percentuais abaixo da projeção brasileira.

É importante destacar que a comparação considera as alíquotas padrão dos impostos, e não necessariamente a tributação efetivamente paga em todas as compras.

No Brasil, a reforma prevê isenções, reduções e tratamentos diferenciados para determinados produtos e serviços, o que poderá resultar em cobranças menores em diversas situações.

Estimativa ficou acima do previsto inicialmente

Antes da decisão do TCU, o Comitê Gestor do IBS trabalhava com uma projeção de alíquota conjunta de 27,91%.

O cálculo considerava 9,21% para a CBS e 18,7% para o IBS.

Com a aprovação do percentual de 11,3468% para a contribuição federal, a estimativa combinada aumentou aproximadamente 2,14 pontos percentuais.

O novo índice também ficou acima dos 9,43% calculados anteriormente pela empresa de tecnologia tributária ROIT.

Apesar disso, a alíquota definitiva ainda não está estabelecida.

O percentual de 18,7% para o IBS permanece como projeção, enquanto a definição referente à CBS ainda depende de manifestação do Senado Federal, que tem prazo até 15 de dezembro para analisar o índice.

O que muda com a reforma tributária?

O novo sistema tributário brasileiro adotará um modelo de IVA dual, formado por dois impostos principais:

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que substituirá gradualmente o PIS e a Cofins;

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo de estados e municípios que substituirá o ICMS e o ISS.

O objetivo da reforma é simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo, reduzir a cumulatividade tributária e tornar mais transparente a tributação de produtos e serviços.

O modelo também prevê mecanismos de devolução de impostos, conhecidos como cashback, destinados a famílias de baixa renda, além de alíquotas reduzidas ou zeradas para determinados setores e produtos.

Quando as mudanças entram em vigor?

A CBS começará a substituir os tributos federais sobre o consumo em 1º de janeiro de 2027.

Já a implantação do IBS ocorrerá gradualmente, com conclusão da transição prevista para 2033.

Durante esse período, os tributos atuais serão substituídos de forma progressiva pelo novo modelo.

A definição das alíquotas finais será fundamental para determinar o impacto da reforma sobre os preços de produtos e serviços, os custos das empresas e a arrecadação dos governos.

Fonte: WH3 com SBTNEWS
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