
A Justiça da Comarca de São Miguel do Oeste condenou três envolvidos no crime que resultou na morte de Deomira Conci, de 75 anos, cujo corpo foi encontrado em território argentino. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (5), e as penas aplicadas aos condenados somam 53 anos, 8 meses e 20 dias de prisão.
O caso, investigado pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São Miguel do Oeste, teve grande repercussão na região de fronteira pela violência empregada contra a vítima e pelas circunstâncias em que o corpo foi levado para a Argentina.
Idosa foi atraída com promessa de pagamento de aluguel
Conforme apurado durante o processo, Deomira foi abordada sob o falso pretexto de quitação de um aluguel. Ao permitir a aproximação dos envolvidos, acabou rendida e mantida refém dentro de seu próprio veículo, uma Ford EcoSport vermelha.
A vítima teve a liberdade restringida e foi imobilizada com o cinto de segurança no assoalho do automóvel.
Os criminosos conduziram a idosa até a região de fronteira, onde ela foi morta mediante golpes de arma branca, que provocaram ferimentos graves.
Posteriormente, os envolvidos atravessaram a fronteira e abandonaram o corpo em Bernardo de Irigoyen, na Argentina. O veículo roubado foi entregue em troca de dinheiro e entorpecentes.
Principal condenado recebeu pena de 30 anos de prisão
Após a conclusão da instrução criminal, a Justiça julgou parcialmente procedentes os pedidos da acusação e estabeleceu as seguintes condenações:
Primeiro réu: condenado a 30 anos de reclusão, em regime inicial fechado, por latrocínio, com reconhecimento das circunstâncias de restrição da liberdade da vítima e transporte do veículo para o exterior.
Segundo réu: condenado a 21 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão, também em regime inicial fechado, por latrocínio, com reconhecimento de participação de menor importância.
Terceiro réu: teve a acusação desclassificada para furto qualificado pelo concurso de agentes e recebeu pena de 2 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto.
No caso do terceiro condenado, a Justiça determinou a expedição de alvará de soltura, condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, incluindo monitoração eletrônica.
A sentença também estabeleceu o pagamento de indenizações aos sucessores da vítima, como reparação mínima por danos morais.
Investigação da DIC levou à prisão dos envolvidos
A Divisão de Investigação Criminal de São Miguel do Oeste assumiu as investigações após o registro do desaparecimento de Deomira e a localização de seu corpo na Argentina.
Os policiais civis realizaram um trabalho de inteligência que envolveu o cruzamento de dados digitais e a análise de imagens de câmeras de monitoramento para identificar os suspeitos e reconstruir a dinâmica do crime.
As prisões ocorreram em 17 de setembro de 2025, durante ações realizadas em São Miguel do Oeste e no município de Barracão, no Paraná.
O trabalho investigativo permitiu esclarecer a participação dos envolvidos na abordagem da vítima, na subtração do veículo e no transporte do corpo para o território argentino.
A sentença foi proferida em primeira instância e ainda poderá ser objeto de recursos.

