O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma, a estimativa é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados fazem parte da publicação Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) nesta quarta-feira, dia 4, data em que é lembrado o Dia Mundial do Câncer.
As projeções refletem o avanço da doença como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, associado, entre outros fatores, ao envelhecimento da população.De acordo com o levantamento, entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, predominam, nesta ordem, os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente devido à alta incidência e baixa letalidade.
A publicação também destaca tipos de câncer com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o câncer do colo do útero e o colorretal, que seguem entre os mais incidentes no país.Avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento
O Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas, podem realizar o exame na rede pública. Antes, a recomendação era para a faixa entre 50 e 69 anos. A idade limite também foi ampliada de 69 para 74 anos.
Em 2025, 33 carretas de atenção à saúde da mulher percorreram municípios de todo o país, oferecendo consultas e exames como mamografia, ultrassonografia pélvica e transvaginal, além de biópsias para o diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.Outra medida foi a implementação do teste molecular DNA-HPV no SUS, tecnologia nacional que integra o novo modelo de rastreamento organizado do câncer do colo do útero. O exame identifica a presença do vírus antes do surgimento de lesões, inclusive em mulheres assintomáticas, aumentando as chances de cura.
Também foi incorporado um medicamento inédito para o tratamento do câncer de mama do tipo HER2 positivo, capaz de reduzir em até 50% a mortalidade. O investimento foi de R$ 159,3 milhões, com custo cerca de 50% menor que o praticado no mercado, garantindo o atendimento integral da demanda pelo SUS.
Na área da quimioterapia, o sistema público registrou um recorde histórico em 2025, com quase 7 milhões de procedimentos realizados até novembro. O número representa um crescimento de aproximadamente 80% em relação a todo o ano de 2022, quando foram contabilizados 3,9 milhões de atendimentos.

