O governo federal decidiu elevar o imposto de importação de 1.252 produtos, em uma medida que atinge principalmente máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia. A decisão foi formalizada por meio da Resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, com vigência a partir de fevereiro e março deste ano.
A iniciativa foi adotada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e é vista internamente como uma resposta ao avanço das importações e à perda de espaço da indústria nacional em segmentos estratégicos.
Foco em tecnologia e bens de capital
Entre os itens afetados estão servidores de processamento de dados, switches, roteadores e outros equipamentos de tecnologia da informação. As novas alíquotas passam a se concentrar em níveis próximos de 7%, 12,6% e 20%, substituindo uma estrutura anterior marcada por diversos produtos com imposto zero ou tarifas reduzidas.
A reação mais forte partiu de entidades do setor de tecnologia, que dependem fortemente de componentes e equipamentos importados. Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Software afirmou que a medida não afeta apenas o setor de TI, mas toda a economia, já que a tecnologia é infraestrutura transversal para os demais segmentos produtivos.
Governo vê risco estrutural
Segundo avaliação técnica do Ministério da Fazenda, o aumento das importações passou a representar uma ameaça à estrutura produtiva nacional. Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões.
Dados citados pela equipe econômica indicam que os produtos importados já representam aproximadamente 45% do consumo de máquinas e equipamentos no país e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações — níveis considerados elevados para o porte da economia brasileira.
A recomposição tarifária, segundo o governo, busca “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e estrangeiros e estimular investimentos na indústria doméstica, alinhando-se à estratégia da Nova Indústria Brasil.
Impactos e exceções
O impacto deve ser mais significativo em setores intensivos em investimento, como mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio, que dependem de equipamentos importados.
Apesar disso, o governo avalia que o efeito sobre a inflação tende a ser limitado, já que os produtos atingidos são majoritariamente bens de produção e não itens de consumo final.
A medida mantém exceções importantes para produtos sem fabricação nacional, por meio de mecanismos como o ex-tarifário e regimes especiais como Repetro, Recof e drawback, que permitem reduzir ou zerar o imposto para equipamentos essenciais a investimentos produtivos.
Na prática, esses instrumentos funcionam como um amortecedor, permitindo elevar a proteção à indústria nacional sem comprometer projetos que dependem de tecnologia estrangeira.

