
Os debates sobre o fim da escala 6×1 movimentam o país no primeiro semestre de 2026. Por um lado, o governo apresenta e defende os benefícios que a aprovação do projeto traria ao trabalhador; por outro, organizações elaboram estudos indicando possíveis impactos negativos na mudança de relação de trabalho causada pela legislação.
Segundo um levantamento realizado pela Fecomércio SC, o setor terciário, que compreende as atividades de comércio e prestação de serviços, poderá perder pouco mais de 27 mil empregos formais em Santa Catarina. O estudo aponta que seriam 13,6 mil postos a menos no comércio e 13,7 mil nos serviços, que incluem também o turismo.
A federação aponta que os principais motivadores para a redução das vagas seriam o aumento do custo da hora trabalhada, visto que o projeto de lei busca a redução da jornada sem redução de remuneração. O cenário mais provável é o da redução da carga semanal de 44 para 40 horas.
Segundo a entidade, o comércio teria um acréscimo de 9,4% no valor da hora trabalhada e o setor de serviços, 6,9%. Hélio Dagnoni, presidente da Fecomércio SC, afirma que os pequenos negócios seriam os mais impactados. “Muitos negócios, infelizmente, não terão como absorver mais esse aumento de custos”, defendeu.
Entre os subsetores que mais devem sofrer impactos estão:
- Lojas de materiais de construção;
- Farmácias;
- Transporte rodoviário de cargas.
Estudo da FIESC aponta perda de 41 mil vagas nos próximos 2 anos com o fim da escala 6×1
O levantamento apontou para 19,1 mil postos extintos somente na indústria, causando um aumento de 9,7% nos custos do trabalho. Os setores de alimento e madeira sofreriam grande impacto, segundo o estudo.
“A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, disse Gilberto Seleme, presidente da FIESC.
Governo e os argumentos para o fim da escala 6×1
O tema é tratado como prioridade pelo governo, que defende que a mudança poderá melhorar as condições laborais. “Hoje, o máximo é 44 horas semanais e queremos diminuir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta para todos os setores, por uma questão de dignidade”, disse Boulos.
Segundo ele, a mudança não significaria redução da produtividade, baseando-se em exemplos internacionais. “A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas e a economia cresceu 5%. Nos Estados Unidos, houve redução média de 35 minutos de trabalho por dia e a produtividade aumentou 2%”, apontou.
No Brasil, Boulos citou um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas ) de 2024, envolvendo 19 empresas. “Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas, aumento no cumprimento de prazos”, concluiu.

