
A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar perfis em redes sociais que divulgavam vídeos incentivando agressões contra mulheres. A investigação foi aberta após solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU).
De acordo com a PF, as publicações já foram denunciadas e removidas das plataformas digitais. Pelo menos quatro contas foram identificadas pela AGU como responsáveis pela divulgação dos conteúdos.
Nos vídeos, jovens simulavam socos, chutes e até ataques com facas contra manequins que representavam mulheres. As encenações eram apresentadas como supostas reações a recusas de namoro ou pedidos de casamento. Em um dos casos, a legenda utilizada dizia: “Treinando caso ela diga não”.
Segundo as autoridades, o material analisado pode configurar crimes como ameaça, perseguição, violência psicológica e incitação à violência, além de possíveis implicações relacionadas à violência de gênero.
Pedido de investigação ao Ministério Público
O deputado federal Pedro Campos (PSD-PE) também solicitou ao Ministério Público a investigação dos responsáveis pelos conteúdos. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (9) na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados do Brasil.
“O Ministério Público tem papel essencial para identificar autores, requisitar informações às plataformas e responsabilizar os envolvidos, evitando que este tipo de prática seja normalizada”, afirmou o parlamentar.
Campos ainda criticou a circulação dos vídeos durante o mês de março, período marcado por mobilizações em defesa dos direitos das mulheres, e em um contexto de elevados índices de feminicídio no país.
Trend gerou repercussão nas redes
A trend que viralizou no TikTok com a frase “treinando caso ela diga não” gerou forte repercussão nas últimas semanas. Nos vídeos, criadores simulam abordagens românticas, como pedidos de namoro ou casamento, seguidas de reações agressivas diante da possibilidade de rejeição, incluindo socos, movimentos de luta e golpes contra objetos.

