
O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, passou a ser comparado ao personagem conhecido como “Lobo de Wall Street” após investigações apontarem um prejuízo estimado em R$ 52 bilhões.
O valor investigado pela Polícia Federal teria impactado aproximadamente 12,4 milhões de pessoas.
A comparação surge porque o famoso caso retratado no cinema envolveu perdas estimadas em cerca de US$ 200 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,6 bilhão. O ND Mais apurou que o ex-banqueiro brasileiro deixou um rombo 32,5 vezes maior que o do golpista norte-americano.
O episódio do mercado financeiro norte-americano inspirou o filme “O Lobo de Wall Street”, estrelado por Leonardo DiCaprio. Na história real, o corretor norte-americano Jordan Belfort manipulava ações de baixo valor por meio de um esquema conhecido como “pump and dump”.
Nesse modelo, os papéis eram artificialmente valorizados com promessas de lucro elevado antes de serem vendidos. O esquema operava principalmente por meio da corretora Stratton Oakmont na década de 1990.
O nome de Daniel Vorcaro passou a ser associado ao apelido de “Lobo da Faria Lima” após a revelação da dimensão do prejuízo investigado no caso Banco Master.
Segundo comparações feitas a partir dos valores apurados pelo ND Mais, o rombo investigado no Brasil seria cerca de 32,5 vezes maior do que o prejuízo causado pelo esquema de Jordan Belfort em Wall Street.
Vorcaro virou o 'Lobo da Faria Lima'
O “Lobo de Wall Street” deixou um rombo de cerca de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1,6 bilhão). Já o “Lobo da Faria Lima” ultrapassou em R$ 50,4 bilhões – 32,5 vezes o rombo histórico retratado por Hollywood.
Mesmo considerando a atualização do valor do caso norte-americano pela inflação, a diferença entre os montantes permanece expressiva. Esse cenário fez com que a Polícia Federal e o STF (Supremo Tribunal Federal) passassem a tratar o episódio como uma investigação de grande relevância nacional.
A dimensão do caso também chamou atenção por envolver valores considerados extremamente elevados dentro do sistema financeiro brasileiro.
As apurações apontam que Daniel Vorcaro teria utilizado uma estrutura baseada na emissão de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), além de operações de crédito consideradas fictícias e utilização de fundos de investimento.
Segundo os investigadores, os títulos eram oferecidos ao público com promessa de rendimentos superiores aos praticados por outras instituições financeiras. Essa estratégia teria permitido ao grupo captar mais de R$ 50 bilhões junto a investidores.
De acordo com os documentos reunidos nas investigações, parte desses recursos teria sido direcionada a empresas relacionadas ao próprio empresário, além de familiares e sócios. As apurações indicam que os valores transferidos não estavam ligados a investimentos reais ou à expansão das atividades empresariais.
Relatórios da investigação apontam ainda que, de aproximadamente R$ 3,5 bilhões aplicados pelo banco em fundos dos quais era o único cotista, cerca de R$ 1,8 bilhão acabou sendo encaminhado para empresas associadas aos próprios sócios da instituição.
Em mensagens de celular apreendidas durante a investigação, o próprio empresário teria feito comentários sobre o funcionamento do sistema financeiro.
“Esse negócio de banco sempre falei: é igual máfia”, escreveu em conversa com a namorada.
“Não dá para sair. Ninguém sai bem. Só sai mal”, alertou o ex-banqueiro.
Magistrados são citados no caso Banco Master
A revista The Economist afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master colocou o STF (Supremo Tribunal Federal) no centro de questionamentos sobre a proximidade entre magistrados e elites políticas e empresariais no Brasil.
Segundo a publicação britânica, as ligações do empresário com políticos e integrantes da alta cúpula do Judiciário ampliaram a repercussão do episódio e reacenderam o debate sobre a conduta de ministros da Corte.
Entre os magistrados citados no caso Banco Master está o ministro Dias Toffoli, mencionado 12 vezes na reportagem.
A revista destacou um investimento feito por uma pessoa ligada a Vorcaro em um resort no Paraná do qual a família de Toffoli era sócia, além de referências a um relatório da Polícia Federal que apontou mensagens trocadas entre o ministro e partes de um processo do qual ele era relator.
Outro ministro mencionado é Alexandre de Moraes, cuja ligação com o caso aparece por meio de sua esposa, a advogada Viviane Barci, que teria recebido um contrato para representar o Banco Master. A reportagem também cita o presidente do STF, Edson Fachin, que tentou articular a criação de um código de conduta para a Corte.
Segundo a Economist, Toffoli e Moraes reagiram à proposta afirmando nunca terem julgado casos com conflito de interesses e defendendo que um código de ética adicional seria desnecessário.

