
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou nesta terça-feira (12) que o cão Orelha pode ter morrido em decorrência de uma condição grave e preexistente chamada osteomielite, uma infecção óssea crônica. Com base em evidências técnicas e testemunhais, a 10ª Promotoria de Justiça da Capital requereu à Justiça o arquivamento do caso que apurava a morte do animal e a suposta agressão ao cachorro Caramelo, ocorridas em Florianópolis.
Segundo o MPSC, foram analisados laudos periciais, imagens, além do depoimento do médico veterinário responsável pelo atendimento de Orelha. As provas levaram à conclusão de que não houve maus-tratos e que a morte do animal ocorreu após procedimento de eutanásia, adotado diante do quadro clínico grave.
Laudo descarta fraturas e ação humana
Conforme o Ministério Público, o laudo pericial elaborado após a exumação do corpo — solicitada pelo próprio órgão — não identificou fraturas ou lesões compatíveis com ação humana. Todos os ossos do animal foram analisados, afastando a hipótese de traumatismo decorrente de agressão.
O documento técnico apontou sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, associada a doença periodontal avançada, evidenciada pelo acúmulo de cálculos dentários. Também foi identificada uma lesão antiga e profunda no crânio, abaixo do olho esquerdo, com características compatíveis com infecção de longa evolução, o que explica o inchaço observado no atendimento veterinário.
De acordo com o MP, imagens feitas na clínica veterinária mostram o animal com edema acentuado na região ocular esquerda, sem cortes, rasgos ou sinais externos de violência, o que justifica a ausência de comunicação imediata às autoridades por maus-tratos.
Diante disso, a Promotoria concluiu que Orelha “sucumbiu a um quadro clínico grave, e não a uma agressão”. O órgão também mencionou o contexto de vulnerabilidade sanitária dos animais da região da Praia Brava, citando a morte da cadela Pretinha por doença do carrapato.
Caso do cachorro Caramelo
Sobre o cachorro Caramelo, o MPSC afirmou que não houve crime de maus-tratos. As investigações indicaram que adolescentes estavam brincando com um dos cães e que poderia haver mais de um animal identificado como “caramelo”. Em relação à alegação de que um cão teria sido arremessado para dentro de um condomínio, imagens analisadas mostraram que os jovens não tocaram no animal, apenas o induziram a entrar no local.
Posição da Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que concluiu as investigações e encaminhou os autos ao Ministério Público, ressaltando que as instituições atuam de forma independente e que eventuais manifestações sobre o arquivamento competem exclusivamente ao MPSC.

