
Os consumidores atendidos pela Celesc em Santa Catarina poderão enfrentar um reajuste médio de 11,77% na conta de energia elétrica a partir de 22 de agosto. A estimativa foi divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas o percentual ainda não é definitivo e segue em análise pela agência reguladora.
O reajuste faz parte da Revisão Tarifária Periódica (RTP), processo realizado a cada cinco anos para reavaliar os custos, investimentos e indicadores de eficiência das distribuidoras de energia.
De acordo com a projeção atual, os consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes empresas, terão um aumento médio de 16,9%. Já os consumidores de baixa tensão, categoria que inclui residências e pequenos negócios, devem ter reajuste médio de 9,32%.
Apesar da alta prevista, o percentual é inferior ao reajuste aplicado em 2025, que foi de 13,53%.
Como é composta a tarifa de energia
Durante encontro com a imprensa realizado nesta segunda-feira, o presidente da Celesc, Edson Moritz, destacou que apenas uma pequena parcela do valor pago pelos consumidores permanece com a distribuidora.Segundo ele, para cada R$ 100 pagos na conta de luz:
- 29% correspondem à compra de energia;
- 22% são destinados a tributos;
- 22% referem-se aos encargos setoriais;
- 10% correspondem à transmissão;
- 17% ficam com a Celesc para operação, manutenção e investimentos na rede elétrica.
Moritz ressaltou que muitas vezes a população acredita que todo o valor da conta permanece com a distribuidora, quando, na realidade, a maior parte dos recursos é destinada a outros componentes do setor elétrico.
Encargos setoriais pesam na tarifa
Entre os itens que mais impactam a conta de energia estão os chamados encargos setoriais, que representam atualmente 22% da tarifa.Esses valores financiam programas e políticas públicas do setor elétrico, incluindo:
- Tarifa Social de Energia Elétrica;
- Incentivos à geração distribuída;
- Subsídios para determinadas fontes de energia;
- Programas setoriais definidos pelo governo federal.
Segundo a Celesc, os encargos atualmente representam uma parcela maior da conta do que os recursos destinados diretamente à operação da distribuidora.
Entenda a revisão tarifária
A diretora de Gestão de Energia e Regulação da Celesc, Pilar Sabino da Silva, explicou que a Revisão Tarifária Periódica avalia diversos fatores para definir os novos valores cobrados dos consumidores.
Entre eles estão:
- Investimentos realizados pela concessionária;
- Custos operacionais atualizados;
- Metas de produtividade estabelecidas pela Aneel;
- Perdas técnicas e não técnicas do sistema;
Aplicação do chamado Fator X, mecanismo que busca repassar aos consumidores os ganhos de eficiência obtidos pela distribuidora.
Conforme a metodologia da agência reguladora, a revisão pode resultar tanto em aumento quanto em redução das tarifas, dependendo do desempenho da concessionária e das condições do setor elétrico ao longo do período analisado.
O percentual definitivo do reajuste será divulgado pela Aneel nos dias que antecedem sua entrada em vigor, prevista para 22 de agosto.

