POLÍCIA - 03/07/2026 14:19

Sanção dos EUA antecipou operação contra alvos ligados ao PCC, diz PF

Diretor-geral Andrei Rodrigues classificou medida norte-americana como "erro grotesco" e afirmou que ela pode ter contribuído para que um dos investigados siga foragido
Recomendar correção
Obrigado pela colaboração!
Arte / WH3

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra dois brasileiros investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) alteraram o planejamento da Operação Exchange e podem ter contribuído para a fuga de um dos principais alvos da investigação.

A operação foi deflagrada na manhã desta sexta-feira e teve como principais alvos a secretária Stella Stefanie Oliveira e o empresário Victor Henrique Shimada. Ambos haviam sido sancionados pelo governo norte-americano na última quarta-feira (2), sob a acusação de envolvimento com a organização criminosa.

Segundo Andrei Rodrigues, a investigação da Polícia Federal já estava em andamento antes do anúncio das sanções e não foi motivada pela medida adotada pelos Estados Unidos.

"O pedido que originou a operação foi anterior à decisão dos EUA. Não se faz uma operação dessa dimensão do dia para a tarde", afirmou.

No entanto, o diretor reconheceu que a divulgação das sanções obrigou a PF a antecipar o cumprimento dos mandados judiciais, alterando a estratégia inicialmente planejada.

"A sanção dos EUA alterou a ação. Antecipou a operação. Sem a sanção, poderíamos ter encontrado o foragido. Isso atrapalhou", declarou.

PF critica classificação de facções como terroristas

Durante a entrevista, Andrei Rodrigues também criticou a decisão do governo norte-americano de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Ele classificou a medida como um "erro grotesco" e uma "decisão equivocada", argumentando que o Brasil já possui mecanismos próprios de investigação e repressão às facções criminosas, adotando uma estratégia diferente da utilizada pelos Estados Unidos.

Operação mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro

A Operação Exchange investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do PCC por meio de empresas, movimentações financeiras internacionais, evasão de divisas e operações com criptomoedas.

Nesta sexta-feira foram cumpridos:

  • 11 mandados de prisão temporária;
  • 13 mandados de busca e apreensão;
  • ações nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Até o momento, sete pessoas foram presas, enquanto Victor Henrique Shimada permanece foragido.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, que somam até R$ 10,4 bilhões.

Acusações dos Estados Unidos

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou as sanções na quarta-feira (2), apontando Victor Henrique Shimada como um elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas.

Segundo as autoridades norte-americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões — cerca de R$ 155,8 milhões — provenientes do tráfico de drogas, utilizando criptomoedas para enviar recursos ilícitos ao Brasil em benefício da facção.

Já Stella Stefanie Oliveira é apontada como responsável por prestar apoio logístico à organização. De acordo com o governo dos EUA, ela atuava como secretária de Shimada, intermediando a coleta e movimentação de grandes quantias de dinheiro utilizadas no esquema de lavagem de capitais.

Fonte: CNN Brasil
Publicidade
Publicidade
Cadastro WH3
Clique aqui para se cadastrar
Entre em contato com a WH3
600

Rua 31 de Março, 297

Bairro São Gotardo

São Miguel do Oeste - SC

89900-000

(49) 3621 0103

Carregando...