eleições 2026 - 03/08/2026 19:19

Com “urna aberta” em tempo real, TRE-SC demonstra como funciona o sistema eletrônico de votação

O equipamento foi aberto ao vivo pela primeira vez em Santa Catarina
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Foto: Luciano Nunes /TRE-SC

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) demonstrou como funciona o sistema eletrônico de votação e seus mecanismos de segurança durante o “Conheça a Urna Eletrônica por Dentro”, nesta segunda-feira (3), com o equipamento sendo aberto pela primeira vez no estado em tempo real. 

Foto: Luciano Nunes /TRE-SC

O evento, que aconteceu na sede do TRE-SC, também apresentou as formas de transparência e auditabilidade adotadas pela Justiça Eleitoral antes das Eleições 2026. Esta programação em Santa Catarina integra a primeira edição da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com ações em todo o Brasil. 

Para o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, o evento é mais uma oportunidade para aproximar a população do funcionamento da urna eletrônica e, a partir da informação, enfrentar a desinformação que ataca o equipamento. 

“Nós precisamos fortalecer ainda mais a confiança no processo eleitoral e reafirmar a compreensão de que a democracia se protege com informação qualificada. Não há informação sobre a segurança do processo eletrônico que nós não possamos e não devemos transmitir, muito pelo contrário. E essa proteção, a informação qualificada, representa, então, uma responsabilidade institucional e um respeito, sobretudo, à vontade soberana do eleitor, que é a nossa missão principal de proteger”, reforçou o desembargador Carlos Roberto da Silva

Em seu discurso de abertura do evento, o presidente do TRE-SC relembrou o período em que foi Juíz Eleitoral durante eleições com votos em cédulas de papel e relembrou o processo de informatização do voto. 

A memória das eleições pré urna eletrônica também é compartilhada pelo diretor-geral do TRE-SC, Gonsalo Ribeiro. “Nós somos testemunhas de que quem vivenciou a verdadeira revolução do que o voto eletrônico representou para a democracia brasileira. Superamos o modelo de cédula em papel, de apuração manual, vulnerável, lenta e subjetiva. Hoje, a velocidade da apuração é aclamada por todos. Exaltar a transparência, integridade e auditabilidade da urna é reafirmar a legitimidade da vontade popular”, complementou. 


“Abertura” ao vivo da urna eletrônica

Estavam em exibição uma urna eletrônica aberta a marretadas, decorrente de um ataque de eleitor em 2018, uma urna de treinamento e uma caixa lacrada para ser aberta na demonstração de desmontagem do equipamento. Nesse cenário, o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-SC, Samuel Fernandes Ribeiro explicou — para um público composto de jornalistas, técnicos de TI de instituições públicas e privadas —, as etapas do processo eletrônico de votação, incluindo as 30 camadas de segurança que protegem o equipamento. 

Foto: Luciano Nunes /TRE-SC
Com um aviso de que a conversa utilizaria uma linguagem do “informatiquês”, Samuel Fernandes Ribeiro detalhou que a segurança da urna eletrônica é pensada em quatro grandes esferas: hardware; software; caminho do voto; e totalização. “Tudo começa lá na fabricação com a especificação técnica, que é um documento de 500 páginas de como funciona a arquitetura física da urna eletrônica, dos algoritmos de criptografia, e todo o processo de desenvolvimento do software, incluindo geração das chaves, até chegar na totalização, que é a última etapa”, introduziu. 

Na sequência, João Sebastião de Andrade, assessor Técnico Eleitoral e Voto Informatizado do TRE-SC, iniciou o processo de abertura da urna eletrônica, desde a retirada da caixa de transporte, até a remoção de parafusos, tela e placas-mãe que compõem o equipamento. A cada peça removida, os servidores se revezavam com explicações técnicas e objetivas sobre a segurança do processo eletrônico de votação. 

Em sua explicação, o secretário de TI do TRE-SC, destacou que a urna eletrônica não possui conexão com a internet e que o software utilizado é desenvolvido exclusivamente pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral, com tecnologia de criptografia da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). A criptografia é uma das camadas de proteção da urna eletrônica, que possibilita, ao mesmo tempo, a integridade e a confidencialidade do voto. 

Isto é, cada urna eletrônica tem um método de Registro Digital do Voto (RDV), que gera um arquivo de texto computando o comparecimento. Ou seja, quantos votos foram registrados naquela urna. Paralelamente, o equipamento registra uma tabela com os votos recebidos. Como o RDV não está ligado à identificação do eleitor, a confidencialidade do voto é garantida. 

Foto: Luciano Nunes /TRE-SC

A criptografia também garante a integridade do voto porque cada urna eletrônica possui um código próprio, um “DNA” único. Esse código é conferido e validado pelo TSE no momento de totalização. Essa validação funciona, inclusive, para casos em que o equipamento precise ser substituído, em um processo chamado de contingência. 

Para explicar a contingência, Samuel Fernandes Ribeiro contou a história da urna aberta a marretadas nas Eleições 2018 e como o eleitor, apelidado de “Thor”, conseguiu destruir o teclado e a estrutura física da urna, mas não atingiu as placas-mãe nem a Mídia. Assim, todos os votos feitos até o momento do ataque foram registrados. Após o incidente, o equipamento foi substituído e código da nova urna também foi informado ao TSE, para que demais votos também fossem contabilizados. 

Ainda sobre totalização e transparência, Paulo Dionísio Fernandes, coordenador de Eleições do TRE-SC, ressaltou que cada urna eletrônica emite um documento ao final do pleito, o Boletim de Urna. Obrigatoriamente, são emitidas 5 vias desse documento, mas o presidente da seção pode emitir até 10. “Nessa eleição, ainda temos uma novidade. Os dois últimos eleitores na seção vão ser convidados a acompanhar o encerramento da votação na seção eleitoral e cada um deles também poderá levar uma via do Boletim de Urna para casa”, anunciou. 

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Fonte: Assessoria de Comunicação Social do TRE-SC
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