
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) demonstrou como funciona o sistema eletrônico de votação e seus mecanismos de segurança durante o “Conheça a Urna Eletrônica por Dentro”, nesta segunda-feira (3), com o equipamento sendo aberto pela primeira vez no estado em tempo real.

O evento, que aconteceu na sede do TRE-SC, também apresentou as formas de transparência e auditabilidade adotadas pela Justiça Eleitoral antes das Eleições 2026. Esta programação em Santa Catarina integra a primeira edição da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com ações em todo o Brasil.
“Nós precisamos fortalecer ainda mais a confiança no processo eleitoral e reafirmar a compreensão de que a democracia se protege com informação qualificada. Não há informação sobre a segurança do processo eletrônico que nós não possamos e não devemos transmitir, muito pelo contrário. E essa proteção, a informação qualificada, representa, então, uma responsabilidade institucional e um respeito, sobretudo, à vontade soberana do eleitor, que é a nossa missão principal de proteger”, reforçou o desembargador Carlos Roberto da Silva
A memória das eleições pré urna eletrônica também é compartilhada pelo diretor-geral do TRE-SC, Gonsalo Ribeiro. “Nós somos testemunhas de que quem vivenciou a verdadeira revolução do que o voto eletrônico representou para a democracia brasileira. Superamos o modelo de cédula em papel, de apuração manual, vulnerável, lenta e subjetiva. Hoje, a velocidade da apuração é aclamada por todos. Exaltar a transparência, integridade e auditabilidade da urna é reafirmar a legitimidade da vontade popular”, complementou.
Estavam em exibição uma urna eletrônica aberta a marretadas, decorrente de um ataque de eleitor em 2018, uma urna de treinamento e uma caixa lacrada para ser aberta na demonstração de desmontagem do equipamento. Nesse cenário, o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-SC, Samuel Fernandes Ribeiro explicou — para um público composto de jornalistas, técnicos de TI de instituições públicas e privadas —, as etapas do processo eletrônico de votação, incluindo as 30 camadas de segurança que protegem o equipamento.

Na sequência, João Sebastião de Andrade, assessor Técnico Eleitoral e Voto Informatizado do TRE-SC, iniciou o processo de abertura da urna eletrônica, desde a retirada da caixa de transporte, até a remoção de parafusos, tela e placas-mãe que compõem o equipamento. A cada peça removida, os servidores se revezavam com explicações técnicas e objetivas sobre a segurança do processo eletrônico de votação.
Isto é, cada urna eletrônica tem um método de Registro Digital do Voto (RDV), que gera um arquivo de texto computando o comparecimento. Ou seja, quantos votos foram registrados naquela urna. Paralelamente, o equipamento registra uma tabela com os votos recebidos. Como o RDV não está ligado à identificação do eleitor, a confidencialidade do voto é garantida.

A criptografia também garante a integridade do voto porque cada urna eletrônica possui um código próprio, um “DNA” único. Esse código é conferido e validado pelo TSE no momento de totalização. Essa validação funciona, inclusive, para casos em que o equipamento precise ser substituído, em um processo chamado de contingência.
Para explicar a contingência, Samuel Fernandes Ribeiro contou a história da urna aberta a marretadas nas Eleições 2018 e como o eleitor, apelidado de “Thor”, conseguiu destruir o teclado e a estrutura física da urna, mas não atingiu as placas-mãe nem a Mídia. Assim, todos os votos feitos até o momento do ataque foram registrados. Após o incidente, o equipamento foi substituído e código da nova urna também foi informado ao TSE, para que demais votos também fossem contabilizados.

