O fenômeno climático El Niño deverá continuar se intensificando nos próximos meses e pode se tornar um dos mais fortes registrados desde pelo menos 1950. O alerta foi divulgado nesta quinta-feira (8) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a entidade, o fenômeno deve atingir seu pico de intensidade em dezembro de 2026, provocando alterações nos padrões de temperatura e precipitação em diversas regiões do planeta.
A previsão indica que o El Niño poderá contribuir para temperaturas acima da média em grande parte do mundo, além de aumentar os riscos de secas e inundações.
A OMM também alerta que os efeitos do fenômeno podem agravar os impactos das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas.
El Niño está se fortalecendo rapidamente
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico tropical, especialmente nas regiões central e oriental, devem continuar subindo entre outubro e dezembro.
As projeções indicam que a anomalia de temperatura nessa região poderá alcançar 3,7°C acima da média, superando o recorde anterior de 2,6°C, registrado durante o episódio de 2015 e 2016.
O índice que acompanha o aquecimento das águas do Pacífico equatorial já havia aumentado de 1,6°C acima do normal em junho para 2,5°C em agosto.
As estimativas foram elaboradas com base em informações de 13 centros meteorológicos nacionais e internacionais.
Segundo a diretora da OMM, Celeste Saulo, o El Niño está consolidado e apresenta rápido fortalecimento.
A organização aponta ainda que a probabilidade de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027 é praticamente de 100%.
Fenômeno pode provocar secas e chuvas intensas
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental.
Essa alteração influencia a circulação atmosférica, modificando os padrões de ventos, pressão e distribuição das chuvas em diferentes partes do mundo.
O fenômeno ocorre, geralmente, em intervalos de dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.
Durante os episódios de El Niño, algumas regiões podem enfrentar períodos prolongados de estiagem, enquanto outras registram aumento das precipitações e maior risco de enchentes.
No Sul do Brasil, incluindo Santa Catarina, episódios de El Niño costumam favorecer volumes de chuva acima da média, embora a intensidade e a distribuição das precipitações dependam de outros fatores meteorológicos.
Temperaturas do planeta também podem aumentar
A OMM explica que o El Niño não produz calor adicional, mas favorece a liberação para a atmosfera de parte do calor acumulado nos oceanos.
Segundo Celeste Saulo, as águas associadas ao episódio atual apresentam temperaturas excepcionalmente elevadas, ampliando o potencial de aquecimento atmosférico.
O fenômeno também pode influenciar os indicadores globais de temperatura nos meses seguintes ao seu pico.
O episódio anterior contribuiu para as temperaturas excepcionalmente altas registradas em 2023 e 2024, período em que o planeta atingiu novos recordes de aquecimento.
Impactos já são registrados em algumas regiões
Conforme a Organização Meteorológica Mundial, os efeitos do atual El Niño já são sentidos em diferentes partes do mundo.
Na América Central, por exemplo, a estiagem tem provocado prejuízos à agricultura e à criação de animais.
A preocupação das autoridades internacionais é que o fortalecimento do fenômeno amplie os impactos sobre a produção de alimentos, os recursos hídricos, os ecossistemas e a economia.
A OMM reforça a importância do acompanhamento das previsões climáticas e da adoção de medidas preventivas, especialmente nas regiões mais vulneráveis a secas, enchentes e eventos meteorológicos extremos.

