FENÔMENO CLIMÁTICO - 30/10/2026 09:23

El Niño muito forte deve provocar chuva acima da média em SC até janeiro de 2027

Grande Oeste está entre as regiões com maior possibilidade de chuva volumosa; em outubro, Anchieta acumulou 430 milímetros e Maravilha registrou 379 milímetros
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Santa Catarina deve enfrentar um período de chuvas frequentes entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, com possibilidade de volumes acima da média histórica, especialmente na região do Grande Oeste. A previsão está relacionada à atuação de um El Niño muito forte, fenômeno climático que deve continuar influenciando as condições do tempo no Sul do Brasil nos próximos meses.

O cenário foi apresentado durante o 247º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, Epagri/Ciram, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Segundo os especialistas, a combinação de sistemas meteorológicos e temperaturas elevadas poderá favorecer episódios de chuva persistente, temporais intensos, alagamentos e enxurradas.

Grande Oeste deve ter atenção especial

A previsão indica que o Grande Oeste catarinense está entre as regiões com maior possibilidade de registrar volumes elevados de chuva durante os próximos meses.

Em outubro, municípios do Extremo-Oeste já enfrentaram precipitações expressivas. Anchieta acumulou 430 milímetros de chuva, enquanto Maravilha registrou 379 milímetros ao longo do mês.

Os volumes estão entre os maiores registrados em Santa Catarina no período. No Litoral Norte, Garuva acumulou 395 milímetros e Joinville chegou a 365 milímetros.

Conforme a Defesa Civil estadual, 84 municípios catarinenses registraram ocorrências relacionadas a eventos meteorológicos em outubro, incluindo vendavais, granizo, chuva intensa, alagamentos e enxurradas.

Os impactos mais significativos foram observados no Grande Oeste, Planalto Norte e Litoral Norte.

El Niño deve permanecer muito forte até fevereiro

De acordo com as informações apresentadas no Fórum Climático, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta 96% de probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte até fevereiro de 2027.

O fenômeno atingiu essa classificação em setembro, quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial apresentou anomalias superiores a 2°C.

Na última semana analisada, o índice chegou a 2,5°C na média semanal.

A tendência apresentada pelos meteorologistas é de que o El Niño comece a perder intensidade entre fevereiro e abril, mas permaneça ativo até o início do outono.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica.

No Sul do Brasil, sua atuação costuma favorecer períodos mais chuvosos e aumentar a possibilidade de eventos meteorológicos extremos.

Primavera terá chuva persistente e verão será marcado por temporais

Até o encerramento da primavera, em 21 de dezembro, Santa Catarina deverá continuar sob influência de frentes frias, ciclones e massas de ar frio.

Esses sistemas favorecem a ocorrência de chuva persistente e períodos prolongados de instabilidade.

Com a chegada do verão, a tendência é de que os temporais se tornem mais isolados, associados principalmente ao calor e à umidade.

“São os típicos temporais de verão que a população costuma observar no fim de tardes abafadas”, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra.

Apesar de localizados, esses fenômenos podem provocar grandes volumes de chuva em pouco tempo, aumentando o risco de alagamentos e enxurradas.

Historicamente, dezembro e janeiro estão entre os meses com maior número de ocorrências relacionadas a eventos meteorológicos em Santa Catarina.

Temperaturas terão mudanças ao longo dos próximos meses

A previsão também aponta variações importantes nas temperaturas.

Em novembro, a maior presença de nuvens deverá contribuir para tardes mais amenas, já que a cobertura de nuvens reduz a incidência direta da radiação solar.

“As nuvens funcionam como um cobertor térmico, que bloqueia o calor que vem de fora e retém as temperaturas que já estão dentro, reduzindo a variação térmica”, explica Caio Guerra.

Até o fim da primavera, ainda poderão ocorrer episódios isolados de frio, especialmente durante as manhãs.

Já entre dezembro e janeiro, a tendência é de períodos de calor intenso, característicos do verão catarinense.

A combinação de temperaturas elevadas e umidade deverá favorecer a formação de tempestades, principalmente durante as tardes e noites.

Defesa Civil alerta para riscos de alagamentos e deslizamentos

Diante da previsão de chuva frequente e possibilidade de temporais severos, a Defesa Civil orienta a população a acompanhar os boletins meteorológicos e os alertas oficiais.

Entre as principais recomendações estão:

- Durante chuvas intensas: evitar atravessar ruas alagadas, pontes e pontilhões submersos.

- Em áreas próximas a rios: acompanhar a elevação do nível da água e manter crianças afastadas de locais com risco de enxurradas.

- Em regiões sujeitas a deslizamentos: observar rachaduras em paredes, movimentação de terra e inclinação de árvores ou postes.

- Durante temporais com raios e granizo: procurar abrigo seguro, longe de árvores, estruturas metálicas e objetos que possam ser arremessados pelo vento.

- Dentro de casa: permanecer em locais protegidos, preferencialmente em cômodos com paredes de alvenaria e janelas menores.

A Defesa Civil reforça que a previsão de chuva acima da média não significa precipitação contínua em todos os municípios, mas indica maior possibilidade de episódios de instabilidade e eventos intensos.

Para o Extremo-Oeste catarinense, a recomendação é de atenção redobrada, especialmente em municípios que já registraram acumulados expressivos de chuva e ocorrências de alagamentos durante outubro.

Fonte: WH3 com ND+
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