O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) anunciou que sua campanha pretende recorrer à Justiça para contestar o resultado da eleição para o governo do Ceará. Em manifestação divulgada nesta terça-feira (6), o candidato derrotado afirmou ter o sentimento de que sua candidatura foi “roubada” durante o processo eleitoral. A campanha informou que pretende apresentar pedido de anulação da eleição.
Ciro disputou o governo cearense contra Elmano de Freitas (PT), que foi reeleito no primeiro turno no domingo (4). Com 100% das urnas apuradas, Elmano recebeu 2.875.573 votos, equivalentes a 53,19% dos votos válidos. Ciro ficou em segundo lugar, com 46,22%.
Em documento intitulado “Manifesto ao povo cearense”, Ciro agradeceu aos eleitores que votaram em sua candidatura, mas fez acusações contra seus adversários e questionou decisões judiciais tomadas durante a campanha. As alegações apresentadas pelo ex-ministro são contestadas pela campanha de Elmano e, até o momento, não alteram o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
“Meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, escreveu Ciro.
Ciro critica decisão envolvendo propaganda eleitoral
Entre os principais questionamentos apresentados pelo ex-ministro está uma decisão do ministro Dias Toffoli, integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionada ao horário eleitoral.
Antes da votação, Toffoli determinou a restituição de tempo de propaganda no rádio e na televisão à campanha de Elmano. A decisão estabeleceu que o tempo que havia deixado de ser veiculado fosse compensado nas 48 horas anteriores ao primeiro turno.
A medida estava relacionada a uma disputa judicial envolvendo propagandas que associavam Ciro a integrantes da família Bolsonaro. Na ocasião, a campanha de Ciro informou que recorreria da determinação.
Agora, após o resultado das urnas, o ex-ministro afirma ter concordado, após consultar a equipe jurídica da campanha, com a apresentação de uma medida judicial para questionar a eleição.
Campanha de Elmano reage às declarações
As acusações foram rebatidas por Chagas Vieira (PDT), coordenador da campanha de Elmano de Freitas. Ele classificou as declarações de Ciro como um desrespeito ao resultado das urnas e sustentou que as decisões judiciais mencionadas pelo adversário tiveram como objetivo compensar tempo de propaganda anteriormente retirado da candidatura de Elmano.
As manifestações de Ciro ocorrem após uma disputa apertada na reta final da campanha. Pesquisas divulgadas antes da votação mostravam Elmano e Ciro tecnicamente empatados.
Apesar da contestação anunciada, Elmano de Freitas permanece oficialmente reeleito governador do Ceará, conforme resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

