
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, relatou um suposto pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações constam em áudios e documentos obtidos pela revista Veja e divulgados nesta sexta-feira (9).
Segundo a publicação, os valores teriam sido negociados durante uma articulação envolvendo integrantes ligados ao PT, com o objetivo de viabilizar negócios do Banco Master com fundos de pensão de servidores federais.
As informações foram apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) durante uma tentativa de negociação de delação premiada. Entretanto, o caso não avançou porque a Procuradoria considerou insuficientes as provas dos pagamentos relatados.
As acusações são baseadas nas declarações de Vorcaro e não representam fatos comprovados pela Justiça.
Relato envolve ex-tesoureiro do PT
De acordo com a reportagem, Vorcaro afirmou que teria negociado com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, pagamentos para facilitar o acesso do Banco Master a recursos administrados por fundos de pensão.
Entre os valores mencionados estaria um repasse de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie, destinado a despesas de um documentário sobre Lula produzido no exterior.
O ex-banqueiro também relatou pagamentos adicionais ao Instituto Lula, ligado a Paulo Okamotto, amigo do presidente.
Segundo sua versão, os recursos fariam parte de negociações para obter apoio ao credenciamento do Banco Master junto a estruturas relacionadas ao Banco do Brasil, à Caixa Asset e à Previ.
Ex-sócio e lideranças políticas são mencionados
Vorcaro afirmou que a aproximação com integrantes do PT teria sido articulada por seu então sócio e executivo do Banco Master, Augusto Lima.
O relato também menciona o senador Jaques Wagner (PT-BA), a quem o ex-banqueiro atribui participação na intermediação de um encontro com Vaccari.
As informações foram reunidas em um documento apresentado à PGR em junho de 2026, durante uma tentativa de negociação de colaboração premiada que acabou não avançando.
Documentário foi dirigido por Oliver Stone
O filme mencionado no relato é o documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone.
A produção apresenta a trajetória do presidente brasileiro e reúne depoimentos de pessoas próximas a ele, incluindo aliados e colaboradores.
Segundo a Veja, Vorcaro afirmou que parte dos recursos teria sido destinada às despesas de produção do documentário no exterior.
Além desse montante, o ex-banqueiro mencionou supostos pagamentos ao Instituto Lula, sem especificar o valor total destinado à instituição.
PGR considerou provas insuficientes
Conforme a reportagem, a Procuradoria-Geral da República não deu prosseguimento às alegações por entender que não havia elementos suficientes para comprovar os pagamentos mencionados.
A defesa de Vorcaro contestou essa avaliação e afirmou que o ex-banqueiro teria condições de apresentar mensagens de WhatsApp, registros de saques e informações sobre pessoas e locais envolvidos nas supostas entregas de dinheiro.
Apesar dessas declarações, a negociação de delação premiada não avançou.
A reportagem também informa que, embora o Banco Master tenha mantido contatos com pessoas ligadas ao governo federal, as negociações para captar recursos dos fundos federais não alcançaram os resultados pretendidos pelo banco.
Lula nega recebimento de recursos
Procurado pela revista Veja, o presidente Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro.
O presidente também afirmou que não autorizou terceiros a receber recursos do ex-banqueiro em seu nome.
Outros integrantes do governo mencionados na reportagem, entre eles Alexandre Padilha e Olavo Noleto, também negaram envolvimento nas irregularidades relatadas.
Até o momento, não há comprovação pública de que os R$ 30 milhões tenham sido efetivamente pagos para financiar o documentário.
As informações divulgadas se referem a declarações atribuídas a Vorcaro, cuja veracidade não foi estabelecida judicialmente.

