Santa Catarina enfrenta um aumento expressivo nos casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA). Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 30 mil casos foram registrados apenas no primeiro mês de 2026, alcançando 98% dos municípios catarinenses. A região Sul concentra 17,4% dos mais de 375 mil diagnósticos contabilizados no Brasil neste ano.
Até o fim de janeiro, o Estado somava 32.270 casos, número que pode ser ainda maior, já que nem todos os pacientes procuram atendimento médico. Dos 295 municípios catarinenses, apenas cinco não registraram ocorrências de diarreia em 2026: Bom Jesus, Cordilheira Alta, Marema, São Bernardino e Urubici. Já Chapadão do Lajeado e Tigrinhos contabilizaram apenas um caso cada.
Diante do crescimento considerado fora do padrão habitual, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) realiza análises de coletas para identificar a origem do aumento dos registros.
Verão favorece aumento dos casos
Em entrevista, a médica infectologista Priscila Gabriella Carraro Merlos explicou que as DDAs são causadas principalmente por vírus, bactérias e parasitas, transmitidos pela via fecal-oral.
“A contaminação ocorre por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, contato com superfícies ou objetos contaminados e também pelo contato direto com pessoas doentes, especialmente quando não há higienização adequada das mãos”, explicou.
Segundo a especialista, os casos tendem a aumentar durante o verão, principalmente em cidades litorâneas. As altas temperaturas favorecem a multiplicação de microrganismos nos alimentos, especialmente quando a conservação é inadequada, além do aumento no consumo de refeições fora de casa e do contato com águas recreacionais potencialmente contaminadas.
Apesar do crescimento, a médica ressalta que o número de registros ainda é inferior ao observado no mesmo período de 2025, o que indica um comportamento sazonal, sem caracterização de surto fora do esperado.
Crianças e idosos exigem maior atenção
Os grupos mais vulneráveis às complicações da diarreia são crianças menores de cinco anos e idosos acima de 60 anos. Nessas faixas etárias, há maior risco de desidratação grave.
“O tratamento da maioria dos casos é simples e baseado na hidratação adequada, com soro de reidratação oral e líquidos. A alimentação deve ser leve, pobre em gorduras e fibras”, orienta a infectologista. Medicamentos como antidiarreicos são contraindicados, pois podem mascarar a gravidade do quadro.
Como prevenir
A prevenção das DDAs envolve medidas básicas de higiene, como:
- lavar corretamente as mãos com água e sabão;
- consumir apenas água tratada ou fervida;
- ingerir alimentos bem cozidos e higienizados;
- evitar alimentos expostos ao calor por longos períodos;
- manter a vacinação em dia, incluindo a vacina contra o rotavírus;
- redobrar cuidados com alimentos vendidos na praia e evitar banho em locais com balneabilidade comprometida.
- As autoridades de saúde reforçam que a atenção à higiene e à procedência dos alimentos é fundamental para conter o avanço dos casos no Estado.

