
O caso da mulher de 37 anos presa em Joinville após se passar por uma adolescente de 12 anos chamou a atenção não apenas pela complexidade da fraude, mas também pelas semelhanças com histórias já retratadas no cinema e em produções documentais.
A suspeita foi presa pela Polícia Civil na terça-feira (2), acusada de utilizar uma identidade falsa para convencer membros de uma igreja e uma família da região de Pirabeiraba de que era uma menor de idade em situação de vulnerabilidade. Segundo as investigações, ela permaneceu acolhida pela família durante cerca de 14 meses.
A situação lembra o enredo do filme A Órfã, um dos suspense mais conhecidos do cinema. Na trama, uma menina adotada por uma família revela, posteriormente, ser uma mulher adulta que utiliza sua aparência infantil para enganar as pessoas ao seu redor.
Embora o caso de Joinville não envolva as mesmas circunstâncias da ficção, a investigação aponta que a mulher utilizava uma narrativa detalhada para justificar sua aparência física e conquistar a confiança das pessoas.Segundo o delegado responsável pelo caso, ela alegava ter sofrido abusos durante a infância e afirmava ter sido submetida ao uso forçado de hormônios, o que explicaria características físicas incompatíveis com a idade que dizia possuir.
Caso também lembra história de Natalia GraceA ocorrência também tem sido comparada ao caso de Natalia Grace, que ganhou repercussão internacional e inspirou documentários e séries.
Natalia, uma jovem ucraniana com uma condição rara relacionada ao crescimento, foi adotada por uma família norte-americana em 2010. Posteriormente, surgiram alegações de que ela seria uma adulta se passando por criança, gerando uma longa disputa judicial e grande repercussão midiática.
A história foi tema de produções como O Curioso Caso de Natalia Grace e Uma Família Perfeita.
Como a fraude foi descoberta
De acordo com a Polícia Civil, a mulher conheceu a família por meio de uma igreja da região de Pirabeiraba, apresentando-se como uma adolescente chamada "Gabrielle". Ela relatava supostos episódios de abandono e violência, o que sensibilizou membros da congregação.
Comovida pela situação, uma família decidiu acolhê-la. Durante o período em que permaneceu na residência, recebeu apoio financeiro, alimentação, roupas e medicamentos custeados pelos anfitriões.
Segundo o delegado Rodrigo Gusso, os responsáveis chegaram a adquirir medicamentos indicados para tratamento de obesidade, acreditando que estavam atendendo às necessidades de uma criança.
A investigação teve início na última sexta-feira (29), após um dos integrantes da família procurar a Polícia Civil ao receber informações de uma parente de que a suposta adolescente poderia ser, na verdade, uma mulher adulta.
Após diligências e verificação documental, os policiais confirmaram a verdadeira identidade da investigada.
Antecedentes em outros estados
Conforme a Polícia Civil, a mulher possui registros de ocorrências semelhantes em diferentes estados brasileiros, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.
Ela foi presa em flagrante pelos crimes de estelionato e falsa identidade e encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. Durante o interrogatório, segundo a polícia, a suspeita confessou os fatos.
O caso segue sob investigação para apurar possíveis outras vítimas e eventuais prejuízos causados durante o período em que utilizou a identidade falsa.

